‘Festa’ chega à 65ª edição com exibições em espaços alternativos e nas ruas

Criado por Pagu, Festival Santista de Teatro é o mais antigo em artes cênicas em atividade no Brasil. Programação, gratuita, vai de 1º a 7 de setembro


Da LN Textos | De Santos (SP)
Da Prefeitura de Santos | De Santos (SP)

A partir desta sexta-feira, dia 1º, Santos é palco da 65ª edição do mais antigo festival de artes cênicas em atividade no Brasil, o Festival Santista de Teatro – Festa.

Com realização do Movimento Teatral da Baixada Santista, em parceria com o Sesc Santos e Secretaria Municipal de Cultura (Secult), o evento ocupa, até o próximo dia 7, salas de teatro, espaços alternativos e ruas da cidade com obras de variados gêneros e formatos, para o público adulto e infantojuvenil.

A programação conta ainda com workshop, lançamento de livro, ensaio aberto e outras atrações.

Tudo gratuito.

Sob o tema ‘65 Anos de Festa – Das Lutas de Pagu Até o Fomento ao Teatro’, o festival propõe um olhar sobre as novas possibilidades abertas para os coletivos teatrais, especialmente aqueles com pesquisa continuada, como a aprovação da ‘Lei Sérgio Mamberti’ de Fomento ao Teatro para a Cidade de Santos.

Além disso, reafirma sua história de pioneirismo e vanguarda, na figura de sua criadora, a escritora, ativista política e jornalista Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962).

ABERTURA

A abertura do Festa65, na sexta, será no Teatro do Sesc (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida), com a apresentação do espetáculo ‘Cordel Do Amor Sem Fim – Ou A Flor do Chico’, do grupo campineiro Os Geraldos.

A peça tem dramaturgia de Claudia Barral e direção de Gabriel Vilela, um dos mais premiados e reconhecidos diretores da cena teatral brasileira.

Em circulação nacional, a montagem já foi assistida por mais de 7 mil pessoas, incluindo apresentações no Festival de Curitiba, no Festival Cena Contemporânea (Brasília) e no Tiradentes em Cena (MG), entre outros circuitos.

MOSTRAS OFICIAIS

A escolha dos nove espetáculos que compõem a mostra regional do Festa65 se deu por meio de curadoria coletiva, com participação de representantes dos 37 trabalhos inscritos.

Os nove são ‘Jantar Com Daddy’, de André Leahun (Santos), ‘Eu-Fêmea: Matiz Sob Silêncio E Vertigem’, da Incena Brasil (Cubatão), ‘Contr’A’taque’, da Equipe Plataforma (São Vicente), ‘La Monstrua’, de Danielle Lima (Guarujá), ‘EntrƎ’, da Cia PlástikOnírica (Santos), ‘Democraceria LTDA’, da Trupe Olho da Rua (Santos), ‘As Fuás’, da Bordallo Produções (Santos), ‘Terceiro Sinal’, da Casa3 (Guarujá) e ‘O Baú de Candoca’, do Teatro Experimental de Pesquisa – TEP (Santos).

Já a mostra estadual terá três espetáculos: ‘Circo Fubanguinho’, da Trupe Lona Preta (São Paulo-SP), ‘Do Outro Lado do Muro’, da Espontânea Cultural e Grupo Xingó (São Paulo-SP), e ‘O Vestido da Rainha’, da Cia. Bambolina (Paraguaçu Paulista-SP).

PROGRAMAÇÃO PARALELA

A programação paralela do Festa65 reúne lançamento do livro ‘Parlapatões no Ato’, de Cuca Nakasone; intervenções de dança e artes urbanas do grupo Baixada Hip-Hop; workshop de canto com o ator, cantor e preparador vocal Marcelo Boffat; feira de gastronomia e artesanato do Coletivo Afrotu; as festas ‘A Praça É Nossa’ e ‘Baixada Vermelha’.

A produção do Festa65 dedica esta edição à memória de Lizette Negreiros, Samara Faustino, Zé Celso Martinez Correia, Alexandre Maradei, Vall Carthom e Tanah Corrêa.

A programação completa do pode ser conferida no site do Festa65.

CONHEÇA A HISTÓRIA DOS 65 ANOS DO FESTIVAL SANTISTA DE TEATRO

Em 1958, a partir da idealização e incentivo de Patrícia Rehder Galvão, a Pagu (1910-1962), que à época trabalhava como jornalista e também promovia cursos de Arte Dramática, foi realizado o I Festival de Teatro Amador Para Santos e Litoral.

No ano seguinte, o Departamento de Cultura da cidade teve a iniciativa de trazer o II Festival Nacional de Estudantes para Santos, reunindo mais de 800 estudantes, dezenas de críticos e jornalistas de todo o país. Palcos foram erguidos e a infraestrutura da cidade foi colocada à disposição do evento, o maior da época.

A partir deste movimento, fortalecido ao longo dos anos 1960 e início dos anos 1970, manteve-se vivo todo o universo da cultura através do teatro, enfrentando e ludibriando a censura, entre outros desafios impostos à época.

No resgate da memória temos profissionais como Plínio Marcos, Gilberto e Oscar Von Pfuhl, Greghi Filho, Gilberto Mendes, Serafim Gonzalez, Lizete Negreiros, Cleide Queiroz, Ney Latorraca, Jonas Mello, Jandira Martini, Rubens Ewald Filho, Bete Mendes, Sérgio e Cláudio Mamberti e Toninho Dantas, entre outros.

Hoje o ‘Festa’ segue uma realização do Movimento Teatral da Baixada Santista e consta no Calendário Municipal de eventos da Cidade, reinventando-se anualmente e inspirando trabalhos acadêmicos. Não à toa, o teatro se tornou referência aos demais segmentos artísticos do litoral paulista, não só pelas ações em torno do festival, como também nas pautas de construção de políticas públicas para cultura nas cidades da Baixada Santista.


Imagem em destaque: cena de ‘Cordel Do Amor Sem Fim – Ou A Flor do Chico’. Foto: divulgação




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