Estudo demonstra a importância da vegetação ribeirinha preservada

Camada de folhas sobre a terra (serapilheira) faz bem a ecossistemas aquáticos. Pesquisa, mundial, tem participação de professor da UFMS


Por Vanessa Amin, da UFMS | De Três Lagoas (MS)

Um experimento conduzido por mais de 40 equipes de pesquisa em todo o mundo demonstrou a importância da diversidade da vegetação ribeirinha para a decomposição da serapilheira (camada superficial do solo de florestas e bosques, com folhas misturadas à terra) em ecossistemas aquáticos.

“O estudo ressalta que este efeito de diversidade é ainda mais forte em riachos tropicais do que em latitudes mais altas”, explica o professor do curso de Ciências Biológicas do Campus de Três Lagoas (CPTL), da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Luiz Ubiratan Hepp.

Luiz é um dos 67 pesquisadores de 32 países que conduziram os trabalhos do estudo.

De acordo com o pesquisador, a decomposição da serapilheira é um processo crucial em ecossistemas aquáticos e desempenha um papel fundamental na troca de carbono entre a biosfera e a atmosfera, implicando em retornos potenciais sobre o clima.

“O estudo identifica a diversidade de plantas como uma grande influência na decomposição da serapilheira, mostrando que a alta diversidade funcional da serapilheira (por exemplo, em dureza, teor de nutrientes, presença de toxinas) estimula a decomposição mais em latitudes baixas do que em climas mais frios, onde os consumidores usaram os diversos recursos com menos eficiência do que nos trópicos. Isso sugere que o funcionamento dos ecossistemas aquáticos pode ser particularmente vulnerável às práticas florestais que são prejudiciais às florestas tropicais nativas”, relata Luiz.

O professor explica que, no contexto da pesquisa, foi avaliada a importância da serapilheira como fonte de energia em ambientes aquáticos, sobretudo, relacionada à decomposição desse material com o ciclo do carbono.

Sobre os ambientes do estudo, o pesquisador explicou que se tratam de pequenos riachos e córregos.

“Esses ambientes dependem muito da vegetação ripária para ‘funcionarem’ adequadamente. São importantes pois prestam inúmeros serviços ecossistêmicos e tem relações diretas ao abastecimento de água, manutenção da diversidade, entre outras funções. O principal resultado está ligado a importância da diversidade vegetal, que, se for reduzida, irá afetar o processamento de material orgânico e influenciar no funcionamento e biodiversidade desses riachos e córregos”, enfatiza o pesquisador da UFMS.

Os resultados da pesquisa foram publicados, recentemente, em artigo na Science Advances e podem ser conferidos aqui.


Imagem em destaque: serapilheira em riachos e córregos. Fotos de Luz Boyero e Silvia Milesi.



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