O bailarino Geovan da Conceição e a coreografia premiada em festival na Alemanha

Licenciado em Dança pela UFPB e professor no Cearte em João Pessoa, artista explica como suas experiências de vida – algumas traumáticas – estão presentes em seu trabalho


Por Débora Freire*, da UFPB | De João Pessoa (PB)

O bailarino clássico Geovan da Conceição conquistou, em 16 de maio último, o segundo lugar no 25º Festival Internacional de Dança de Stuttgart, na Alemanha.

Ex-aluno do curso de Licenciatura em Dança do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, atualmente, professor do Centro Estadual de Arte (Cearte) da Paraíba, Geovan disputou com cerca de 300 artistas de diversos países.

Geovan foi o único brasileiro selecionado para participar do Festival na Alemanha.

O Internationales Solo-Tanz-Theater Festival Stuttgart é considerado um dos maiores e mais importantes eventos de dança do mundo.

A coreografia criada pelo bailarino foi construída a partir de suas experiências de violência na infância, na comunidade em que morava, em João Pessoa.

A performance recebeu o nome de “Fissurar”, como forma de retratar as cenas tristes que presenciou quando criança e que deixaram uma ferida aberta na memória do bailarino.

O bailarino conta, a seguir, um pouco de sua história e a concepção de sua coreografia premiada:

Ele relata que, aos 11 anos, foi selecionado, entre mais de 64 mil crianças, para estudar com bolsa, durante oito anos, no Balé de Bolshoi (uma das mais antigas e prestigiadas companhias de dança do mundo).

Lá conheceu diversos profissionais renomados do balé nacional e internacional. Teve, entre tantas aulas, a oportunidade de aprender piano, flauta, coral, dança popular, clássica, contemporânea e dueto.

Geovan da Conceição, em treino. Foto: acervo pessoal

Ao retornar para João Pessoa, em 2011, sentiu a necessidade de ter uma formação acadêmica na área em que atuava e decidiu, dois anos mais tarde, ingressar na Universidade Federal da Paraíba, no curso de Licenciatura em Dança.

– Eu vi que precisava ter um curso superior na minha área, apesar de já ter tido um curso técnico muito bom e muito forte, como é o Bolshoi. Eu penso muito no meu currículo e acredito que quanto mais bagagem eu tiver, melhor. Grandes coisas têm me acontecido pelo que venho construindo no meu currículo.

No Cearte da Paraíba é professor desde 2012.

– Sempre transmito aos alunos a importância e o impacto da educação na vida. Não adianta querer ser só um ótimo bailarino; é importante você ter conhecimento, cursos, ter diplomas. Isso faz diferença no mercado de trabalho porque o mercado exige isso de você.

Geovan entende que os estudantes de dança devem aproveitar ao máximo a experiência acadêmica.

– Aproveitem ao máximo o curso como eu fiz, dentro das minhas possibilidades, pois eu já trabalhava. Porém, nem por isso eu saí da UFPB com uma nota média. Eu saí com Láurea Acadêmica. Gostaria de poder ter tido tempo e condições de me envolver mais nos projetos de extensão. Então aproveitem porque é extremamente importante essa fase; e passa rápido. Além disso, sejam objetivos no que querem de suas vidas para não se perderem no caminho.

O bailarino é professor em João Pessoa. Foto: acervo pessoal

De acordo com a coordenadora do curso de Licenciatura em Dança do CCTA, Profa. Líria Morays, Geovan foi um estudante brilhante durante na graduação. “Ressalto a importância de formarmos mais profissionais na área da dança pela UFPB de modo a construir uma qualificação junto com os artistas, criando intercâmbios entre especificidades diferentes no modo de compor e ensinar a arte da dança.”


*Com informações de Secom-PB
Imagem em destaque: o bailarino Geovan da Conceição em ensaio de suas coreografias. Foto: acervo pessoal



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