De latifúndio a terra fértil, na Zona da Mata Mineira

Famílias do Assentamento Denis Gonçalves celebram os 14 anos de ocupação de antiga fazenda improdutiva, que hoje atende, por exemplo, a periferia de Juiz de Fora


Por Michele Neves, Matheus Teixeira e Dowglas Silva, da Página do MST | De Goianá (MG)

Com muita festa e emoção, as famílias do assentamento Dênis Gonçalves, localizado na Zona da Mata Mineira, celebraram no último dia 23 os 14 anos de ocupação da área, situada no município de Goianá.

A experiência do assentamento demonstra o êxito de uma reforma agrária popular.

De latifúndio, improdutivo, da terra hoje saem alimentos saudáveis que geram emprego e renda localmente. Abastece, por exemplo, bairros da periferia de Juiz de Fora.

FAMÍLIAS

Hoje, o assentamento Denis Gonçalves conta com mais de 150 famílias morando e produzindo no território.

Também conta com uma escola estadual com turmas do 1° ano ao ensino médio, além das turmas de educação de jovens e adultos (EJA).

Há  uma cooperativa, chamada de Coopermatas, que organiza e comercializa produtos, que vão desde hortaliças, antepastos, bolos e conservas produzidos sem o uso de veneno pelos assentados.

VISITAS

Por ser rico em bens comuns da natureza e histórico, o assentamento é constantemente visitado por turistas, seja para se banhar nas cachoeiras, jogar bola no campo de futebol, visitar as ruínas das estruturas do período escravocrata em que a produção de café era o forte da antiga fazenda.

Grutas onde onde foram encontradas corpos mumificados (cedidos ao Museu Nacional de Rio de Janeiro e que se perderam no incêndio da instituição) e conhecer as famílias e a forma de produzir os alimentos comercializados também motivam visitas.

Com isso, aplica-se ali turismo da reforma agrária.

CELEBRAÇÃO

A celebração pelos 14 anos contou com diversas apresentações culturais, como o bloco de carnaval do MST Pisa Ligeiro, que traz como forma de resistência a ferramenta de trabalho do camponês como instrumento percussivo, mostrando que a enxada que produz o pão é a mesma que anima a luta.

Outro grupo que se apresentou e encantou os presentes no evento foi o grupo de Maracatu Baque do Vale do Pomba do Instituto Federal Sudeste Minas Gerais, Campus Rio Pomba, que realizou uma bonita apresentação.

PLANTIO SOLIDÁRIO

Além das atividades culturais, foi realizado um mutirão de plantio de hortas e produção de mudas de árvores frutíferas para o projeto Plantio Solidário.

O projeto atende bairros da periferia de Juiz de Fora, doando alimentos produzidos no assentamento às famílias em situação de insegurança alimentar, e envolve parceiros voluntários das cidades vizinhas há três anos.

Nesse período já foram doados mais de seis toneladas de alimentos, sendo muitas delas produzidas de forma coletiva em mutirões, e garantiu o envolvimento de mais de 60 famílias.

Durante a atividade foi plantada uma muda de baobá, árvore nativa da África que possui uma grande simbologia para o povo africano – e agora para o assentamento.

As comemorações no assentamento, majoritariamente coordenado por mulheres, fazem parte da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária.

Com o lema “Lutaremos! Por nossos corpos e territórios, nenhuma a menos!”, a jornada pautou, entre os dias 6 e 8 de março, a luta pela terra e a conquista de direitos básicos dos assentados, como a regularização de cadastros e vistorias técnicas junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


Imagem em destaque: Grupo Pisa Ligeiro na celebração do aniversário do Assentamento Denis Gonçalves. Foto: Sara Gehren (@saragehren)




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