Em 17 de abril de 2016, a extrema direita, sob passada de pano da mídia hegemônica, promoveu verdadeiro show de aberrações que conduziria o Brasil para retrocesso de difícil reparação
Por Wagner de Alcântara Aragão | De Curitiba (PR)
Brasil, 17 de abril de 2016. Pela televisão aberta, o país assistiu a uma das mais horrendas sessões da Câmara dos Deputados, de toda história.
Era um domingo e, sob o comando da extrema direita, a Câmara colocou para votação o parecer da comissão especial que apreciou “denúncia por crime de responsabilidade contra a Presidente da República, Sra. Dilma Vana Rousseff”.
Não havia crime de responsabilidade nenhum, conforme qualquer pessoa bem informada poderia constatar.
(O difícil era estar bem informado, diante da avalanche de mentiras, discurso de ódio e versões distorcidas dos fatos).
O que havia, desde o resultado das eleições de 2014, era um inconformismo, de parte de grupos reacionários e da elite econômica financeira, com a reeleição de Dilma Rousseff.
Esses setores tentaram de todas as formas deslegitimar a vitória de Dilma e do campo progressista nas urnas.
Entre esses setores, estava o da chamada mídia hegemônica, ou seja, o das empresas de meios de comunicação com poder de construir narrativas. Sites, canais de rádio e de televisão, de organizações como Globo, Abril, Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo, e parceiros de âmbito regional.
Tais veículos de comunicação vinham dando e passaram a dar cada vez mais espaço e voz para os grupos reacionários.
Porque esses grupos tinham discursos e práticas eficazes na fragilização do governo de Dilma Roussef.
Desde que iniciou o segundo mandato em 2015, Dilma não conseguiu mais governar.
Na economia, era pressionada pela elite financeira, e para assegurar um mínimo de estabilidade cedida às pressões do mercado.
Na política, enfrentava as pautas bombas postas na agenda pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunho.
Na mídia, um bombardeio de notícias distorcidas e análises enviesadas sem fim.
Dilma não cedeu às investidas de Eduardo Cunha, e viu este acatar uma inconsistente denúncia que daria início a um processo de impeachment.
Apesar da resistência de uma parcela considerável da sociedade, que foi regularmente às ruas advertindo de que se tratava de golpe, o processo caminhou.
A sessão de 17 de abril de 2016, há exatos dez anos, escancarou os objetivos reacionários por trás da tentativa de derrubada da presidenta.
As justificativas dos votos favoráveis, já àquela altura, explicitavam negacionismos, preconceitos, discriminações, misoginia, machismo, racismo, lgbtfobia e outras aberrações mais.
A mídia hegemônica e seus analistas com poder de fala minimizaram.
A fala do então deputado Jair Bolsonaro, homenageando os torturadores de Dilma, foi o símbolo do show de horror daquela sessão.
Tivéssemos feito valer princípios democráticos elementares estabelecidos na nossa Constituição, e aquele sujeito teria parado por ali.
Mas não. Valia tudo para tirar Dilma. Até passar pano para aquele atentado a valores humanitários.
A sessão terminou com a aprovação do parecer: 367 deputados votaram a favor, 137 contra e houve sete abstenções e duas ausências.
O processo, então, foi encaminhado ao Senado.
Tramitou naquela Casa até 31 de agosto de 2016, quando foi aprovado pelo plenário.
Imagem em destaque: sessão de 17 de abril de 2016. Foto: Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
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