Brasil e Paraguai definem protocolo de vacinação na fronteira

Há preocupação especial com o sarampo; reunião em maio envolveu autoridades de saúde dos dois países, incluindo, da parte brasileira, representantes dos estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná


Por Danúbia Burema, da assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul | De Assunção (Paraguai)

Medidas para ampliar a integração das ações de saúde nas regiões de fronteira entre Brasil e Paraguai foram discutidas em uma reunião recente envolvendo autoridades na área dos dois países.

Entre os principais temas debatidos no encontro, realizado em maio em Assunção (capital do Paraguai), estiveram a criação de protocolos conjuntos para compartilhamento de dados epidemiológicos, cooperação entre sistemas de informação e a construção de um calendário vacinal unificado para municípios fronteiriços.

A reunião, intitulada “Acciones conjuntas Paraguay – Brasil”, foi promovida pelo Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai, e contou com a participação de representantes dos ministérios da Saúde dos dois países, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), além das secretarias estaduais de Saúde do Mato Grosso do Sul e do Paraná.

A agenda integra o projeto “Monitoramento para Vigilância em Saúde na Fronteira Brasil–Paraguai”, iniciativa construída conjuntamente para ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias e fortalecer o monitoramento epidemiológico nas regiões fronteiriças.

A PREOCUPAÇÃO COM O SARAMPO

Durante o encontro, autoridades paraguaias apresentaram painéis de monitoramento vacinal e ferramentas de visualização de dados utilizadas no acompanhamento das coberturas vacinais, especialmente relacionadas ao sarampo – tema que vem mobilizando esforços conjuntos dos dois países diante do cenário epidemiológico internacional.

Segundo a secretária-adjunta de Saúde do Mato Grosso do Sul, Crhistinne Maymone, a cooperação entre os países é fundamental para garantir respostas mais rápidas e eficientes diante dos desafios sanitários nas regiões de fronteira.

“Os desafios sanitários nas áreas de fronteira exigem atuação coordenada e permanente entre os países. Esse alinhamento fortalece a vigilância em saúde, amplia a capacidade de prevenção e garante respostas mais rápidas diante de riscos epidemiológicos que não respeitam limites territoriais”, destaca

A gestora também ressalta a importância da integração dos sistemas de informação e da harmonização das estratégias de imunização. “Quando compartilhamos dados, experiências e estratégias, conseguimos construir ações mais eficientes e proteger melhor a população que vive nesses territórios de intensa circulação entre Brasil e Paraguai.”

APOIO DA OPAS

A cooperação técnica entre Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai vem sendo fortalecida nos últimos anos, com apoio da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), Conass e conselhos municipais de saúde.

Entre os avanços já alcançados estão o mapeamento de estabelecimentos de saúde em áreas de fronteira, a articulação para uma cooperação bilateral no âmbito do Mercosul e a realização conjunta da Semana de Vacinação nas Américas e do Dia D de vacinação entre Brasil e Paraguai neste ano.


Imagem em destaque: apresentação de dados, na reunião. Foto: divulgação Governo do MS


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