O arquiteto autodidata “que deixou cor para a cidade” é tema de exposição

Ocupação Artacho Jurado, no Itaú Cultural, em São Paulo, traz fotos, maquete digital, vídeos e a combinação azul e rosa que marcam seus edifícios na capital e em Santos; até 15 de setembro. Gratuito


Por Wagner de Alcântara Aragão (@waasantista) | De São Paulo (SP)

Quando as portas do elevador se abrem, de cara vemos uma combinação rosa e azul e adornos peculiares.

Não há dúvidas: chegamos ao piso 2 do Itaú Cultural, em São Paulo, onde está em cartaz até dia 15 de setembro a Ocupação Artacho Jurado. A entrada é gratuita.

A exposição homenageia o arquiteto autodidata paulistano João Artacho Jurado (1907-1983), responsável por projetos de edifícios icônicos da região central da capital e da orla de Santos.

Icônicos pelo desenho e detalhes das fachadas, destacando-se jardins, pilares, escadas, rampas e saguões únicos, assim como sem igual a paleta de cores de pisos e revestimentos externos, os logotipos, limiares, lustres…

Enfim, obras de arte compondo a paisagem urbana por onde Artacho Jurado atuou.

“Eu acho que ele deixou um pouco de cor para a cidade”, é uma declaração da filha dele, Diva Artacho Jurado, ressaltada no prospecto de divulgação da mostra no Itaú Cultural.

“Nascido no bairro do Brás, em São Paulo, em 1907, Artacho Jurado começou sua carreira como letrista de cartazes, estandartes, feiras e exposições na década de 1920. Passou a desenhar estandes para feiras industriais e, durante décadas seguintes, se estabeleceu como organizador de uma série de eventos, com as exposições ‘Centenário de Santos’ e ‘Bicentenário de Campinas’”, informa o material.

Com essa experiência, tornou-se arquiteto, sem necessariamente se formar, academicamente, na área.

Na segunda metade dos anos 1940 projetou vilas, casas e pequenos prédios, e partir dos anos 1950 deu corpo aos edifícios hoje atrações históricas e turísticas em São Paulo e em Santos.

Mas, à época, crítica e elite conservadora paulistana torciam o nariz – as obras de Artacho Jurado eram tidas como bregas pela parcela.

Um pouco de tudo isso está contado em fotos, painéis, maquete eletrônica e na exibição de vídeos.

Aliás, cenográficos por natureza, os prédios projetados por Artacho Jurado são historicamente utilizados como locações para filmes, videoclipes, videorreportagens.

Trechos de produções audiovisuais são exibidos na mostra, realçando o protagonismo dos edifícios. Chama a atenção uma cena de “Na senda do crime”, filme de 1954. O Edifício Viadutos estava em construção ainda, e nele uma perseguição termina de maneira impactante.

A visita à Ocupação Artacho Jurado, enfim, vale muito!

O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, 149, próximo à Estação Brigadeiro da linha verde do metrô. De terça a sábado, das 11h às 20h, e aos domingos, das 11h às 19h. Fecha às segudas. Reitere-se, entrada gratuita.


Imagem em destaque: painel compara detalhes dos prédios de Artacho Jurado em São Paulo e em Santos. Fotos: @waasantista




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