Dez anos depois de formar 1ª turma, curso de cinema no Paraná luta para ficar de pé

Faculdade pública, gratuita, criada em 2005, está sem teto e equipamentos, resultado de sucateamento de 2011 para cá

Por Wagner de Alcântara Aragão* (@waasantista) | De Curitiba (PR)

Edificações sob o risco de virem ao chão. Equipamentos estragados. Estudantes e professores sem teto.

Dez anos depois de formar a primeira turma e de ter experimentado momentos áureos, o curso de cinema da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) vive esta situação: aulas suspensas por falta de condições mínimas, inclusive de segurança e salubridade. Nem uma sala nem lousa e giz docentes e acadêmicos dispõem para começar o semestre.

Um ato público na manhã de segunda-feira, dia 18, em Curitiba, procurou mostrar à sociedade o estado de calamidade a que chegou uma das poucas faculdades públicas de cinema no Brasil.

O prédio onde ocorrem as aulas no bairro Cabral está interditado pelo Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis (Consedi, órgão da Prefeitura de Curitiba) depois que no último dia 12 o teto de uma sala desabou. Nos estúdios, em Pinhais, município vizinho à capital, a infraestrutura física e os materiais estão danificados pelas águas das fortes chuvas.

Os problemas não decorrem, porém, de intempéries, nem são de agora. Segundo professores e estudantes, desde 2011 o curso vem passando por um processo de sucateamento, ao não receber do Governo do Estado do Paraná os repasses suficientes para manutenção e investimentos. O resultado é esse relatado acima.

HISTÓRIA DO CURSO

O curso público de cinema foi criado em 2005, como Escola Superior Sul-Americana de Cinema e TV do Paraná (Cinetvpr), ligada à Faculdade de Artes do Paraná, a FAP. Em 2010, com a criação da Unespar, a FAP foi incorporada à nova universidade, que passou a reunir outras faculdades estaduais existentes no litoral e interior do estado.

A primeira turma da Cinetvpr foi aberta em 2006, e se formou em 2009. Entre 2006 e 2010, a Escola Superior de Cinema, além da grade curricular de bacharelado, promovia festivais, disciplinas optativas, aulas magnas e cursos extras. Tanto o corpo docente fixo como o de professores convidados sempre foram formados por nomes de referência nacional e internacional.

Há dez anos, por exemplo, na quarta edição do festival promovido pela então Cinetvpr (Festival do Paraná de Cinema Brasileiro e Latino-Americano), a atriz Fernanda Montenegro, uma das palestrantes do evento, ao conhecer a proposta e o trabalho desenvolvido pelo curso, vislumbrou a constituição, para breve, de um polo cinematográfico no Paraná.

A intenção, de fato, era essa. Ao mesmo tempo em que a escola superior foi criada, na rede estadual de ensino foi implementado um curso para a formação de técnicos – o curso de Técnico em Produção de Áudio e Vídeo, no Colégio Estadual do Paraná, instituído em 2006, com primeira turma em 2007. O projeto previa a abertura de curso idêntico em Cascavel, o que veio ocorrer anos depois. Todos cursos públicos, gratuitos.

Imagem em destaque: aula do curso de cinema na rua, nesta segunda, para mostrar à população o caos instalado. Foto de Ana Carolina Caldas/Brasil de Fato

*Nota da redação: o signatário desta matéria trabalhava, à época da criação da Cinetvpr, na assessoria de comunicação do Governo do Paraná, e cobriu diversas atividades relativas à escola. Atualmente, e desde 2011, leciona no curso de Técnico em Produção de Áudio e Vido constituído no bojo do curso superior.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 + 6 =