Na África do Sul, a luta de agricultores pelo direito à terra de seus ancestrais

Dossiê do Tricontinental mostra como os trabalhadores rurais negros foram explorados por fazendeiros brancos, e os reflexos, desse passado, nos dias de hoje


Do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social | De  Nyarha (África do Sul)

Um dossiê da organização Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, divulgado agora em junho,  traz as perspectivas, experiências e vozes dos trabalhadores rurais sul-africanos sobre a questão da terra na África do Sul.

O documento – intitulado ‘Esta terra é a terra de nossos ancestrais’ – analisa o papel dos agricultores brancos que há muito se beneficiam do trabalho dos trabalhadores agrícolas negros.

O dossiê começa com um relato histórico da situação dos trabalhadores rurais, ao argumentar que aqueles que trabalham na terra merecem ser seus principais beneficiários, mas, em vez disso, foram excluídos dos lucros e da estabilidade da posse da terra por gerações.

REFORMA AGRÁRIA

Diante dessa realidade, o texto discute como seria uma agenda de reforma agrária que centralizasse as perspectivas e necessidades dos trabalhadores rurais.

O dossiê apresenta dois argumentos centrais.

Em primeiro lugar, que uma das principais razões para a pobreza geracional duradoura dos trabalhadores rurais negros é a exploração de seu trabalho.

Em segundo lugar, que aqueles que trabalham a terra merecem ser seus principais beneficiários.

RELAÇÕES TRABALHISTAS

As relações trabalhistas nas fazendas sul-africanas continuam a manter as desigualdades de raça, gênero e classe como elemento central do trabalho e da vida, constata o Tricontinental.

Isso porque grandes agricultores mantêm ciclos de servidão que resultam na pobreza geracional de seus trabalhadores, desenvolvendo relações trabalhistas de extrema exploração.

Eles coagem seus funcionários a longas horas de trabalho manual e pagam baixíssimos salários.

EXCLUSÃO

Paralelamente, esses trabalhadores rurais tornaram-se invisíveis nas estatísticas de terras e foram excluídos do debate sobre a questão agrária na África do Sul.

Essa relação de exploração é ainda reforçada pelos laços genealógicos desses trabalhadores rurais, já que seus ancestrais estão sepultados naquelas terras, carregando um grande significado espiritual para eles.

“Não queremos deixar essas fazendas porque nossos pais e avós são enterrados aqui”, disse o agricultor MaNkomo, entrevistado para o dossiê.

Clique aqui para ler o documento na íntegra (dossiê número 53).


Imagem em destaque: duas jovens garotas retornam a suas casas após pegar água em um riacho que os moradores da comunidade compartilham com animais selvagens. Foto: New Frame / Magnificent Mndebele / Divulgação Tricontinental




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