Dos resíduos do aço, concreto. Mais barato e sustentável

Pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto está na fase final, testando resistência em condições litorâneas


Por Marcelo Afonso e Patrícia Pereira, da Ufop | De Guarapari (ES)

O parque siderúrgico do país é composto por 29 usinas produtoras de aço. Segundo dados do Instituto Aço Brasil (IABR), juntas essas usinas foram as responsáveis pelo equivalente a 46,3% do aço consumido em todo o mundo na primeira metade da última década.

No entanto, a cada tonelada de aço produzida por aqui são gerados cerca de 600 quilos de resíduos que, destinados a aterros industriais, configuram um grave problema ambiental.

Partindo deste cenário, a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Laís Cristina Costa, trabalha no projeto “Durabilidade em concretos de escória de aciaria”.

Vinculada ao Grupo Reciclos-CNPq, a pesquisa tem como principal objetivo promover uma destinação técnica e ambientalmente adequada aos resíduos gerados pela siderurgia.

RESULTADO

Como resultado, foram desenvolvidos blocos de concreto armado produzidos exclusivamente da escória de aciaria — principal derivada do processo de refino do aço — como agregados (miúdo e graúdo) e adição mineral (uma fração fina, similar ao cimento).

O novo produto é mais escuro e menos poroso que o concreto tradicional e garante, de acordo com a pesquisadora, a redução do consumo de recursos naturais não renováveis (como o minério de ferro e a areia), além de maior lucratividade às indústrias produtoras.

RESISTÊNCIA

Agora, porém, resta descobrir se o novo concreto é, também, mais resistente. Para isso, os pesquisadores estão avaliando a influência do meio ambiente na durabilidade do concreto da escória de aciaria nas praias de Guarapari, no litoral do Espírito Santo.

Para o “teste”, foram distribuídos blocos em três zonas distintas de agressividade do mar: maré, respingo e spray.

Na primeira, os blocos são parcialmente submersos, intensificando a degradação do concreto. Na segunda, os blocos são alocados à beira-mar, mas nunca submersos. Finalmente, na zona de spray (conhecida genericamente por maresia), os blocos são afetados apenas pelo cloro presente na atmosfera.

QUALIDADE

Para estabelecer um padrão comparativo que pudesse descrever a qualidade dos blocos produzidos com rejeitos do setor siderúrgico, os pesquisadores do Reciclos produziram também blocos de concretos convencionais, com areia de rio e brita de gnaisse.

A cada três meses, serão coletados dados de ambos os grupos de blocos durante o intervalo de três anos.

As amostras serão submetidas posteriormente a ensaios acelerados para que se possa verificar a correlação entre a situação controlada em laboratório e as situações de exposição real.

A equipe é composta pelos pesquisadores Humberto Andrade, Juliana Fadini e Tainá Varela.

Os resultados finais serão publicados em periódicos científicos internacionais e imediatamente compartilhados com a Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura (Semag) para divulgação junto ao setor da construção civil de Guarapari.


Imagem em destaque: a pesquisadora Tainá Varela. Foto de divulgação.


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