Há 25 anos, o basquete feminino do Brasil conquistava o planeta

Liderada por Hortência, Paula e Janeth, e contando com revelações como Alessandra e Cíntia Tuiú, seleção brasileira sagrava-se em 12 de junho de 1994 campeã no Mundial da Austrália

Por Wagner de Alcântara Aragão (@waasantista) | De Curitiba (PR)

O Brasil ainda estava de luto pela morte de Ayrton Senna, ocorrida fazia pouco mais de um mês.

No esporte, depositava as esperanças de sucesso no time de Romário, que estava a uma semana de estrear na Copa do Mundo de futebol.

Na política, saía da ressaca do impeachment de Fernando Collor, um ano e meio antes.

Na economia, experimentava os primeiros meses do Plano Real – estava na transição entre a moeda antiga (cruzeiro) e a nova (real) propriamente dito.

Mas amanheceu o domingo 12 de junho de 1994 feliz, porque acabava de receber um presente.

Vindo da Austrália.

O título de campeão mundial de basquete feminino.

Na madrugada daquele domingo (horário de Brasília), a equipe de Hortência, Paula e Janeth e companhia derrotou a gigante China na final, por 96 a 87, e chegava ao topo da modalidade, no planeta.

Já tinha alcançado feito ímpar: eliminado a poderosa e até então tida como imbatível seleção dos Estados Unidos, na semifinal, por três pontinhos (110 a 107).

“Campeãaaooo do muuundo, Brasil”, vibrava Luciano do Valle, um dos grandes incentivadores da modalidade na televisão aberta, na narração da partida, exibida pela Bandeirantes.

O ouro no Mundial da Austrália não foi uma zebra. A geração de Paula e Hortência, que encantava o público nos ginásios brasileiros nos torneios de clubes, cada vez mais se afirmava no cenário internacional.

Em 1991, fez Fidel Castro se render ao talento da dupla, na conquista do ouro dos Jogos Pan-Americanos de Havana pela seleção brasileira, na final contra as cubanas, donas da casa.

Em 1992, conseguiu colocar o Brasil pela primeira vez numa Olimpíada – a de Barcelona.

No entanto, quando do embarque para a Austrália o momento não era dos melhores para a seleção brasileira.

A técnica que comandara a equipe nas conquistas anteriores, Maria Helena Cardoso, tinha sido substituída pelo novato Miguel Ângelo da Luz, que impôs algumas mudanças nas convocações.

Paula e Hortência, as duas mais brilhantes estrelas, ainda se curavam de rusgas, em função de desentendimentos quando pela primeira e única vez jogaram juntas em clube, na Ponte Preta (foi passageiro, felizmente; apesar de rivais nos torneios nacionais, sempre e foram continuam unidas).

O abraço de Hortência e Paula no Mundial da Austrália. Foto: CBB

 

No garrafão, debutantes como Alessandra, Cíntia Tuiú e Dalila eram uma incógnita.

A campanha, porém, foi quase irretocável.

É verdade que nossa seleção sofreu uma derrota que poderia comprometer a continuidade no Mundial, para a Eslováquia, na segunda partida. Todavia, o time mostrou poder superação, descontando na Polônia. Reafirmou sua força passando por Cuba com 20 pontos de diferença. Caiu para China, o que seria natural, e se ergueu bem, se impondo, contra a emergente Espanha.

Aí foi uma avalanche: as estrelas deram show e as novatas jogaram como gigantes. Vieram as já citadas vitórias contra as norte-americanas e contra a China, na final, naquele inesquecível 12 de junho de 1994.

Uma paródia do samba-enredo da Mangueira daquele ano (“Me leva que eu vou, sonho meu/ atrás da verde e rosa, só não vai quem já morreu…”) foi o hino daquela equipe, e daquela conquista (“Me leva que eu vou, seleção/ Tô indo pra Austrália e quero voltar campeão”)

  • CAMPANHA DO BRASIL NO MUNDIAL DA AUSTRÁLIA 1994
  • 1ª fase
    Brasil 112 x 83 Taiwan
    Brasil 89 x 99 Eslováquia
    Brasil 87 x 77 Polônia
  • 2ª fase
    Brasil 111 x 91 Cuba
    Brasil 90 x 97 China
    Brasil 92 x 87 Espanha
  • Semifinal
    Brasil 110 x 107 Estados Unidos
  • Final
    Brasil 96 x 87 China

Desde o mês passado, têm sido promovidas homenagens às campeãs mundiais de 1994.

Em 11 de maio, na inauguração do Sesc Guarulhos, elas voltaram a entrar em quadra para uma partida amistosa com equipes locais.

Em 8 de junho, no Jogo das Estrelas da LBF (o nacional de basquete feminino), as campeãs também foram reverenciadas.

Aliás, as campeãs de basquete feminino em 1994 foram:

  • Maria Paula Gonçalves da Silva, a Magic Paula, armadora, melhor jogadora do mundial, quinta maior cestinha da competição, com média 19,8 pontos por jogos, magistral nas assistências, uma das mais geniais jogadoras da história do basquete mundial
  • Hortência de Fátima Marcari, a Rainha Hortência, ala, a cestinha da competição, com média de 27,6 pontos por partidas, uma das mais completas jogadoras da história do basquete mundial
  • Janeth dos Santos Arcain, a Janeth, ala, terceira maior cestinha do Mundial, com 23,3 pontos, um furacão em quadra
  • Alessandra Santos de Oliveira, a Alessandra, pivô, das grandes revelações do Mundial da Austrália, aguerrida, eficiente na defesa e no ataque, dona do garrafão
  • Leila de Souza Sobral, a Leila, ala-pivô, ágil, eficiente nos rebotes, de forte poder ofensivo
  • Helen Cristina Santos Luz, a Helen, armadora, craque nos arremessos de tês pontos
  • Adriana Aparecida dos Santos, a Adriana, ala-armadora, forte na marcação e eficiente em assistências e arremessos
  • Cíntia Silva dos Santos, a Cíntia Tuiú, pivô, outra grande revelação do torneio, rápida, eficiente na defesa e no ataque, sob a cesta
  • Ruth Roberta de Souza, a Ruth, pivô, eficientíssima no garrafão, sob a cesta
  • Roseli do Carmo Gustavo, a Roseli, ala-pivô, versátil, eficiente na marcação
  • Simone Pontello, a Simone, ala-pivô, versátil, eficiente no esquema tático
  • Dalila Bulcão Mello, a Dalila, pivô, eficiente na posição e para o esquema tático

SAIBA MAIS

Imagem em destaque: a seleção no pódio. Divulgação CBB


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