O ouro histórico do atletismo brasileiro no revezamento 4×100

Na chegada ao Brasil, nesta terça, dia 14, atletas e técnico falam da conquista no Mundial de Yokohama e das perspectivas para as próximas competições

Da Assessoria de Comunicação da CBAt | De Bragança Paulista (SP)

A seleção brasileira conseguiu o título inédito de campeã mundial do revezamento 4x100m masculino no último domingo, dia 12, em Yokohama, no Japão, em um desempenho emocionante, superando adversários fortíssimos como Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Jamaica, entre outros.

A marca obtida, de 38:05, é a melhor do mundo em 2019 e a terceira melhor da história na América do Sul, o que coloca o grupo no mesmo patamar dos revezamentos mais vencedores do Brasil.

Uma grande vantagem é que dos quatro titulares dois – Paulo André de Oliveira e Derick Souza – têm 20 anos e muito o que evoluir.

A juventude somada à experiência de Jorge Henrique Vides (26) e a versatilidade de Rodrigo Nascimento (24) dão esperança de novos grandes resultados, sem esquecer o talento de Vitor Hugo dos Santos (23), que ficou desta vez na reserva.

OBJETIVOS

O grande objetivo agora é manter a equipe na luta por medalhas nos Jogos Panamericanos de Lima, Peru (de 26 de julho a 11 de agosto próximos); no Mundial de Doha, Catar (27 de setembro a 12 de outubro; e na Olimpíadas de Tóquio 2020.

No desembarque em Guarulhos, nesta terça-feira, dia 14, os atletas brasileiros foram recebidos com merecida festa.

“Estamos muito felizes porque foi uma conquista inédita. Espero sinceramente que se torne uma conquista pequena no futuro pelo muito o que ainda pode vir pela frente”, comentou Paulo André, de 20 anos, que fechou a prova. “Temos uma safra muito boa de velocistas, com cinco que correm abaixo de 10.15, e a tendência é todos melhorem os resultados individuais e, em consequência, o resultado do revezamento.”

Paulo André integrará a Seleção no Sul-Americano de Lima, no fim de maio, e depois parte para competições na Europa. “O grande objetivo é correr os 100 m abaixo dos 10.00, antes do Mundial de Doha”, disse o atleta, que tem 10.02 como recorde pessoal. “Melhorando no individual, mantendo a tranquilidade e a concentração na passagem do bastão, temos tudo para lutar por medalhas até Tóquio 2020.”

Derick Souza, de 20 anos, lembra que a confiança do grupo aumentou depois das eliminatórias. “Quando a gente viu que tinha ficado com o segundo melhor tempo, percebeu que dava para buscar o pódio e o primeiro lugar. A gente faz tudo junto, vive junto, joga videogame. Quando se encontra faz o treinamento junto, faz as refeições juntos, nunca um separado do outro”, comentou. “A passagem do bastão foi um diferencial. As outras equipes pecaram e a gente não errou. A medalha veio.”

Já Rodrigo, que abriu a prova, ficou surpreso com o título. “Esperava um bom resultado, mas a conquista é uma honra. Na hora, foi inacreditável. Difícil traduzir essa sensação de ser campeão mundial em palavras. Mas temos um grupo muito qualificado, que se preparou bem e a união do grupo foi fundamental”, declarou. “Todo mundo acreditando em cada passagem, na corrida de cada um para que desse tudo certo e, graças a Deus aconteceu e a gente foi campeão mundial.”

AINDA MELHOR

Jorge Henrique Vides, de 26 anos, tem certeza de que o revezamento pode ir melhor ainda e cita seu exemplo pessoal, que é superar o seu tempo de 10.08 nos 100 m. “A temporada está só começando. Meus treinos ainda não me deixam ser veloz nesta fase. A tendência é brigar por boas marcas nos próximos meses”, lembrou o atleta, que vinha de dois quarto lugares no Mundial de Revezamentos nas Bahamas.

Jorge e Derick treinam alguns dias no Pinheiros para adaptação ao fuso horário e no dia 27 já viajam para a Europa para competições. Paulo André e Rodrigo disputam o Sul-Americano de Lima, mas também seguem depois para os meetings europeus.

Vitor Hugo dos Santos, que teve um ano perdido em 2018, por causa de lesões, ficou na reserva em Yokohama. “A expectativa agora é retomar as competições, ganhar ritmo e brigar por vagas no Pan e no Mundial”, disse.

PALAVRAS DO TÉCNICO

O resultado de 38.05 não surpreendeu o técnico Felipe de Siqueira.

“Se a expectativa já era das melhores quando a gente pisou no Japão, aquele clima de Jogos Olímpicos começou a contagiar o grupo. E a partir do momento em que corremos as eliminatórias com o segundo melhor tempo e alguns países fortes, como o Canadá, ficaram de fora, corrigimos detalhes. Quando se corre contra países como Estados Unidos, Jamaica, Grã-Bretanha e China não pode errar”, analisou. “Ainda podemos melhorar e entrar numa zona de medalha correndo na casa dos 37 segundos. É só o começo da preparação com esse grupo jovem.”

A equipe participou do Mundial de Revezamentos com recursos do Programa de Apoio às Seleções Brasileiras da Caixa, a patrocinadora oficial do atletismo brasileiro.

Imagem em destaque: seleção e técnico comemoram pódio em Yokohama. Divulgação CBAt



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