É o time brasileiro com mais jogadores campeões do torneio, e o quinto do planeta a ter atletas com a desejada taça; confira detalhes dessa trajetória
Com informações da Prefeitura de Santos | De Santos (SP)
A Copa do Mundo 2026 de futebol masculino vai de 11 de junho a 19 de julho, em três países sedes, todos na América do Norte: México, Estados Unidos e Canadá.
Será a 23ª edição do torneio. O Brasil, além de ser o único participante de todas elas, é o que mais levantou a taça: cinco vezes. Busca, assim, o hexacampeonato.
É também de um time brasileiro, o Santos Futebol Clube, o protagonismo na escrita da história da Copa do Mundo.
O Santos é, dentro o país, aquele com mais jogadores campeões; em todo o mundo, é o quinto nesse ranking.
O Peixe tem 15 títulos, com 11 jogadores.
Pelé lidera com o feito de ser o único a ter três Copas (1958, 1962 e 1970).
O eterno capitão Zito e Pepe, o Canhão da Vila, foram bicampeões (1958 e 62).
Gylmar, Mauro Ramos, Mengálvio e Coutinho estavam no grupo de 62, enquanto Carlos Alberto Torres, Joel, Clodoaldo e Edu, em 70.
Era como se, a cada quatro anos, a camisa branca da Vila Belmiro se transformasse na amarelinha da seleção, levando consigo o talento, a ousadia e a essência de um time que fez da Cidade um símbolo do futebol mundial.
No ranking mundial, o time santista só é superado por quatro gigantes – Juventus (Itália), com 27 campeões; Bayern de Munique (Alemanha), com 24; Internazionale (Itália), com 21; e Roma (Itália), com 16.
Agora em 2026, o alvinegro de Vila Belmiro volta a ter um representante na Copa: Neymar Jr., sem dúvida um dos nomes mais marcantes na história do Santos e da seleção.
Ele é o 15º atleta brasileiro do Santos Futebol Clube convocado para disputar uma Copa do Mundo.
Com sua presença em 2026, o Peixe alcança a marca de 25 convocações de jogadores para o maior torneio do futebol mundial.
COMO É ESSA HISTÓRIA
Assim, quando começa uma Copa do Mundo, é impossível não voltar no tempo e lembrar do Santos e da cidade de Santos das décadas de 1960 e 1970.
Em uma simbiose rara e quase poética, Santos se projetava para o mundo através do jogo, como se cada Copa carregasse um pouco da alma alvinegra que atravessou gerações e ajudou a escrever a história do esporte.
Jogadores formados ou consagrados no “Peixe” brilharam nos maiores palcos do planeta — não apenas participando, mas sendo protagonistas de conquistas históricas, incluindo três títulos mundiais.
No centro dessa trajetória está Pelé, o Rei, até hoje o único tricampeão da história das Copas do Mundo como jogador e a imagem mais marcante de uma seleção que encantou o planeta com talento, alegria e genialidade.
A relação entre o Santos FC e as copas ganha força especialmente entre as décadas de 1950 e 1970, período mágico do futebol brasileiro.
EM 1958, NA SUÉCIA
A trajetória vitoriosa começou em 1958, na Suécia.
O mundo conheceu Pelé, então com apenas 17 anos, ao lado de Zito e Pepe, formando a base santista que ajudaria o Brasil a conquistar seu primeiro título mundial.
Quatro anos depois, na Copa do Mundo Fifa de 1962, o protagonismo santista atingiu seu auge — não apenas em número, mas em influência direta dentro de campo.
Nada menos que sete jogadores do Santos Futebol Clube integravam a seleção, formando praticamente a espinha dorsal da equipe que conquistaria o bicampeonato mundial.
Cada um deles desempenhava um papel determinante naquela engrenagem quase perfeita.
Na defesa, Mauro Ramos era o grande líder. Zagueiro de rara elegância para a época, aliava técnica e firmeza como poucos e teve a honra de ser o capitão do Brasil, eternizando seu nome ao erguer a Taça Jules Rimet após a vitória sobre a Tchecoslováquia.
No gol, Gylmar dos Santos Neves transmitia uma segurança quase absoluta. Bicampeão mundial, é considerado por muitos o maior goleiro brasileiro de todos os tempos, com defesas decisivas que garantiram a campanha invicta.
No meio-campo, Zito, o “Gerente”, era a voz do treinador dentro de campo. Responsável por organizar, marcar e liderar, foi também decisivo na final: com o jogo empatado em 1 a 1, apareceu como elemento surpresa na área para marcar, de cabeça, o gol da virada brasileira.
Ao seu lado, Mengálvio era o cérebro silencioso, dono de um passe cadenciado e de uma leitura de jogo refinada, garantindo equilíbrio e fluidez ao time. No ataque, o talento também era abundante.
Pelé chegou ao Chile como a maior estrela do planeta e começou a competição em alto nível, com um golaço antológico na estreia contra o México. No entanto, uma lesão muscular no segundo jogo o afastou do restante da campanha — ainda assim, suficiente para garantir seu segundo título mundial.
Ao seu lado, Pepe, o “Canhão da Vila”, também sofreu com problemas físicos antes do torneio e acabou não atuando, mas permaneceu no grupo e se tornou bicampeão.
Já Coutinho, parceiro histórico de Pelé, também integrou o elenco — mesmo sem entrar em campo, reforçou ainda mais a presença santista na campanha.
ENTROSAMENTO
Taticamente, aquela seleção mantinha a base do 4-2-4, consagrado em 1958, mas com maior preocupação com o equilíbrio defensivo e a organização do meio-campo.
E havia um diferencial decisivo: o entrosamento.
Com grande parte da equipe oriunda da Vila Belmiro, o Brasil frequentemente reproduzia em campo — e até nos treinamentos — a dinâmica e os padrões táticos do Santos.
A conexão entre goleiro, defesa, meio e ataque, já consolidada no clube, fazia da Seleção um time naturalmente sincronizado. Esse nível de entendimento coletivo foi fundamental para o sucesso.
Mais do que talento individual, o Brasil de 62 jogava como um time que se conhecia profundamente — e muito disso vinha diretamente do Santos.
Em 1966, na Inglaterra, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo Brasil, o Santos seguiu representado por Pelé, Edu, Lima, Gylmar e Zito, demonstrando a continuidade da força santista no cenário internacional.
Já em 1970, no México, o futebol atingiu um de seus pontos mais altos — e, mais uma vez, com protagonismo direto do Santos Futebol Clube. Se em 1962 o clube representava a base numérica da Seleção, em 70 entregava algo ainda mais valioso: hierarquia, inteligência e espetáculo.
A MAIOR DE TODOS OS TEMPOS
A equipe do tricampeonato mundial é considerada por muitos a maior de todos os tempos — e o DNA santista foi fundamental para dar equilíbrio àquela máquina quase perfeita.
No centro de tudo, novamente, estava Pelé. Em sua quarta e última Copa, o Rei não era apenas o camisa 10 — era o guia técnico e emocional da equipe. Marcou quatro gols, mas sua maior contribuição foi a leitura de jogo.
Atuando como um “ponta de lança” moderno, atraía a marcação e criava espaços para companheiros como Jairzinho e Tostão. Sua genialidade se traduz em detalhes — como o passe preciso, quase visionário, para o gol de Carlos Alberto Torres na final, a assinatura definitiva de um dos maiores jogadores de todos os tempos.
Capitão daquela seleção histórica, Carlos Alberto Torres simbolizava liderança e imponência. Foi ele quem levantou a taça do tricampeonato mundial após a vitória sobre a Itália, repetindo o feito de Mauro Ramos em 1962.
Assim, um dado histórico se consolida: os dois últimos títulos de Pelé foram celebrados com as taças erguidas por capitães que também eram do Santos — um símbolo máximo da liderança santista no futebol mundial.
Dentro de campo, Carlos Alberto eternizou-se ainda com o gol que fechou o 4 a 1 na final, considerado por muitos o mais bonito da história das Copas, coroando uma das jogadas coletivas mais perfeitas já vistas.
CLODOALDO
No meio-campo, Clodoaldo, o “Corró”, foi um dos grandes nomes daquela campanha. Com apenas 20 anos, demonstrava maturidade impressionante. Na semifinal contra o Uruguai, marcou o gol de empate em momento decisivo.
Já na final, protagonizou um lance eterno: driblou quatro adversários italianos em espaço reduzido, iniciando a sequência de passes que terminaria no gol de Carlos Alberto — um dos momentos mais emblemáticos da história do futebol.
O ídolo eterno do Santos FC construiu uma trajetória singular. Vindo do Nordeste do país [de Sergipe], encontrou na várzea santista o ponto de partida para uma carreira marcada por técnica refinada, inteligência em campo e uma ligação profunda com a Cidade que o acolheu.
Teve no Santos seu único clube como profissional, tornando-se símbolo de fidelidade e paixão pela camisa alvinegra — e um dos nomes que ajudam a contar, com orgulho, a forte ligação de Santos com o maior evento do futebol mundial.
“Tenho 76 anos de idade, dos quais 70 em Santos, apaixonado por essa cidade. Tenho um amor muito grande por Santos e pelo Santos Futebol Clube. Já dizia minha esposa, que não sabia qual era o maior amor: por ela, pela cidade ou pelo Santos”, comenta ex-jogador.
Pelo lado esquerdo, Edu representava talento e versatilidade.
No México, assumiu o papel de “reserva de luxo”, entrando ao longo das partidas para manter o nível técnico elevado da equipe. Sua trajetória também impressiona: esteve presente em três Copas do Mundo e hoje segue na Cidade, como ídolo eterno do Santos, declarando diariamente seu amor pelo clube e pela Cidade.
Na defesa, Joel Camargo oferecia segurança e consistência, integrando o elenco campeão como uma peça de confiança.
Já em 74, na Alemanha, o Santos ainda mantinha sua presença com Marinho Peres e Edu, fechando um ciclo de décadas em que o clube foi praticamente sinônimo da Seleção Brasileira.
MARCANTES
Alguns nomes construíram trajetórias marcantes dentro das Copas.
Pepe esteve em duas edições (1958 e 1962), conquistando dois títulos. Já Zito participou de três Copas (1958, 1962 e 1966), sendo bicampeão mundial e um dos grandes líderes dentro de campo.
E quando esses heróis retornavam a Santos, a Cidade parava. As ruas se enchiam, a torcida tomava conta da Vila Belmiro e a celebração era coletiva. Não eram apenas conquistas da Seleção — eram vitórias que tinham raízes profundas no gramado santista, compartilhadas por uma comunidade inteira que se reconhecia naqueles ídolos.
O PEIXE E SEUS ATLETAS EM OUTRAS SELEÇÕES
Mas a presença do Santos nas Copas do Mundo não se limitou à seleção brasileira.
O clube também teve representantes em outras seleções ao longo dos anos, como Rodolfo Rodríguez, pelo Uruguai em 1986; Júlio Manzur, pelo Paraguai em 2006; e Eugenio Mena, pelo Chile em 2014 — reiterando o caráter internacional do Peixe.
Mais do que números ou convocações, essa trajetória revela uma identidade.
O Santos Futebol Clube ajudou a moldar o estilo de jogo que encantou o mundo e marcou época nas Copas. Seus jogadores não apenas vestiram a camisa da seleção — eles ajudaram a definir o que o futebol brasileiro representa até hoje.
E assim, a cada quatro anos, quando o planeta volta seus olhos para uma nova Copa do Mundo, Santos segue presente, mesmo à distância. Porque, no fundo, a história das Copas também passa pela Vila Belmiro — e continua viva em cada torcedor que, ao ver a bola rolar, reconhece ali um pedaço da sua própria história.
O TRONO DE PELÉ
A história das Copas do Mundo pode ser contada antes e depois de Pelé, mas a trajetória do Rei jamais poderá ser dissociada do Santos Futebol Clube. Ao longo de doze anos e quatro mundiais, ele provou que lealdade e genialidade podem caminhar juntas: conquistou o planeta três vezes sem nunca deixar o litoral paulista para ser o maior de todos.
O fato de Pelé ter sido tricampeão mundial sendo, em cada uma dessas conquistas, jogador do Santos, sela um pacto de exclusividade único no esporte. Enquanto outros craques buscavam a glória em grande equipes da Europa, ele transformou a Vila Belmiro no centro geográfico do futebol mundial.
Não era apenas um convocado — era a própria bandeira de um clube que emprestava sua espinha dorsal — de Zito a Carlos Alberto Torres, de Pepe a Clodoaldo — para que o Brasil pudesse ser gigante.
SINÔNIMOS
O “Rei” e o “Peixe” tornaram-se sinônimos de uma era de ouro em que a técnica superava a força e a arte vencia o medo. Ao olhar para as três estrelas conquistadas por Pelé no escudo da Seleção Brasileira, é impossível não enxergar o branco e preto do Santos por baixo do amarelo.
O Santos Futebol Clube não era só o time do Pelé. Em alguns importantes momentos e títulos da história das Copas foi a seleção brasileira.
O Peixe teve tantos talentos usando a camisa verde e amarela que muitas vezes a seleção parecia uma extensão da Vila Belmiro.
E talvez seja justamente aí que mora a grandeza do Santos Futebol Clube de Pelé: um time que não apenas venceu, mas encantou, que não apenas formou campeões, mas ajudou a definir o próprio significado do futebol.
Na história mais recente, Neymar Jr. é o grande nome.
Chega em sua quarta Copa do Mundo, como o mais experiente e para muitos, o protagonista de um grupo para chegar ao hexacampeonato.
E foi no Santos FC, clube que o revelou, para onde voltou para se preparar para estar pronto para a disputa. Chegou no início de 2025, num projeto especial criado pelo Peixe para que ele estivesse apto a estar na lista. A sua convocação no dia 18 de maio era esperada por torcedores de todo o Brasil, imprensa mundial e se tornou numa grande festa.
Aquele Santos da era de ouro transformou a Vila Belmiro em palco do mundo e fez de Santos muito mais do que uma cidade — transformou num símbolo eterno do jogo bem jogado, que todos esperam seja recuperado agora nessa Copa.
E enquanto a bola seguir rolando nas copas, em qualquer canto do planeta, sempre haverá um pouco daquele Santos genial vivendo em cada jogada, como prova de que algumas histórias não terminam: elas continuam ecoando para sempre.
Imagem em destaque: o esquadrão do Santos dos anos 1960, uma verdadeira seleção brasileira. Essa e de mais fotos: divulgação Prefeitura de Santos
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