Bancos Vermelhos, símbolo da luta por feminicídio zero, se espalham pelo Brasil

Coletivo Maria Vai com as Outras e Realejo, livraria de rua, se unem e lançam campanha de arrecadação financeira para instalação do equipamento em Santos, o primeiro do litoral de SP; confira pix para ajudar


Com informações do Instituto Banco Vermelho e de Cidinha Santos, jornalista | Do Recife (PE) e de Santos (SP)

O movimento internacional do Banco Vermelho, originado na Itália como símbolo da luta contra o feminicídio e que completa dez anos em 2026, se expande pelo Brasil.

No país, uma lei federal sancionada há dois anos (lei 14.942/2024) estabelece, em convergência com a filosofia do movimento, a instalação de bancos vermelhos em espaços públicos.

Esses equipamentos, de coloração avermelhada, destacam-se na paisagem trazendo informações que alertam para a violência contra a mulher e mensagens de orientação para prevenção e combate.

De acordo com o Instituto Banco Vermelho, em 60 cidades de 20 das 27 unidades da federação, nas cinco regiões geográficas, já há bancos vermelhos instalados.

Estão em órgãos públicos como repartições administrativas, universidades e hospitais, em ruas, praças e avenidas.

A sociedade civil tem se mobilizado em torno do movimento também.

Em Santos, o Coletivo Feminista Classista Antirracista Maria Vai com as Outras, e a Realejo, livraria de rua da cidade, lançaram uma campanha de arrecadação financeira para transformar o parklet em frente à livraria em um banco vermelho. Parklets são aquelas áreas de convivência instaladas no lugar de vagas de estacionamento na via pública.

Será o primeiro Banco Vermelho da cidade e região de que se tem notícia. Ficará no Gonzaga, uma das mais movimentadas zonas de comércio, serviços e turismo do litoral de São Paulo.

O projeto está orçado em R$ 15 mil.

  • São aceitas doações de qualquer valor. Para contribuir, basta mandar um pix para a chave CNPJ 04.440.268/0001-03. Banco Itaú. Titular da conta: Realejo Livros

A escolha da Realejo Livros como ponto central da ação não é por acaso.

Há 25 anos, a livraria de rua atua como um farol cultural em Santos, um espaço em que as ideias circulam e a empatia é cultivada.

A organização da mobilização destaca que a leitura e o acesso à cultura são ferramentas fundamentais para desconstruir o machismo estrutural e combater a violência na raiz.

A literatura abre caminhos para o diálogo, humaniza as estatísticas e dá voz a realidades muitas vezes silenciadas.

Ter uma livraria parceira nesse movimento reforça que o combate à violência contra a mulher também se faz com educação, arte e ocupação cidadã dos espaços urbanos.

O PROTAGONISMO DAS ESCRITORAS COMO REDE DE FORTALECIMENTO

A parceria ocorre também para celebrar o papel da mulher no mercado editorial.

O crescimento expressivo no número de mulheres escritoras, poetisas e pensadoras publicadas nos últimos anos tem sido um motor essencial de emancipação.

Nas prateleiras da Realejo, a presença feminina nas narrativas tem crescido de forma sólida.

Quando uma mulher escreve, ela valida a vivência de tantas outras.

REDE PODEROSA

A literatura produzida por mulheres cria uma rede de identificação poderosa: ao lerem sobre dores, abusos, mas também sobre superação, autonomia e coragem em páginas escritas por suas semelhantes, as leitoras encontram forças para romper ciclos de silenciamento.

Dar visibilidade a essas vozes em um espaço físico e cultural é uma forma direta de fortalecer e proteger a comunidade feminina.

“Santos sempre foi uma cidade de vanguarda e diálogo. Agora, precisamos que ela seja, acima de tudo, uma cidade de proteção e memória”, afirmam organizadoras e organizadores da mobilização na cidade.

O grupo acrescenta: “Unir a força transformadora dos livros a essa causa nos permite usar a cultura como um escudo e uma ferramenta de conscientização. Queremos transformar esse ponto de convivência em um símbolo vivo de luta, tirando os dados frios dos relatórios e trazendo-os para o centro do debate público”.

DADOS ALARMANTES

Os indicadores de feminicídio no Brasil são alarmantes, conforme ressalta o Instituto Banco Vermelho.

Infográfico do Instituto Banco Vermelho

Apenas entre janeiro e março deste ano, o Brasil já registrou 399 vítimas de feminicídio — o que representa uma morte a cada cinco horas e 25 minutos. Na esmagadora maioria dos casos, os autores são maridos, namorados, companheiros ou ex-parceiros das vítimas.

Especificamente em São Paulo, o problema é tão grave quanto, de acordo com dados da própria Segurança de Estado da Segurança Pública.

O estado lidera o ranking nacional com 86 casos no primeiro trimestre de 2026. O ano de 2025 já havia sido o mais violento da série histórica, e a tendência de alta se mantém, com um salto de 45% nas vítimas apenas no mês de fevereiro.

Na Região Metropolitana da Baixada Santista, que abrange Santos e mais oito municípios do litoral sul paulista, apenas nos dois primeiros meses de 2026 os índices de violência contra a mulher (que incluem agressões, ameaças e feminicídios) registraram um aumento de quase 20% em comparação ao mesmo período do ano passado.

SERVIÇO
Campanha de arrecadação financeira para o Banco Vermelho em Santos
Para tirar o projeto do papel e espalhar a mensagem de prevenção, a organização convoca o apoio de moradores, comércios e empresas da região. A campanha busca arrecadar recursos para três frentes principais:
1. Divulgar a campanha de arrecadação para viabilizar o espaço;
2. Reformar e pintar o parklet em frente à livraria;
3. Pintar frases de conscientização e o número do Disque 180.
São aceitas doações de qualquer valor. Para contribuir, basta mandar um pix para a chave CNPJ 04.440.268/0001-03. Banco Itaú. Titular da conta: Realejo Livros
Acompanhe por @marias_coletivofeminista e @realejolivros


Imagem em destaque: arte da campanha em Santos, por Márcia Okida (@marciaokida)


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