Hipótese aventada é a de que estigma social [causado por preconceitos e discriminações] possa levar esse grupo populacional a ingerir mais álcool, açúcar e alimentos ultraprocessados
Por Hugo Bispo, da UFPB | De João Pessoa (PB)
Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em parceria com pesquisadoras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade de São Paulo (USP), descobriram uma associação entre minorias sexuais e alimentação menos saudável.
A partir da análise de dados de 85.859 indivíduos com 18 anos ou mais, extraídos da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, o estudo, transformado em artigo, notou que mulheres lésbicas e bissexuais relataram consumir mais bebidas alcoólicas, refrigerantes e açúcares, além de consumirem com menos frequência alimentos como feijão, frutas e vegetais, em comparação com mulheres heterossexuais.
Para fazer a associação, a pesquisa utilizou modelos lineares generalizados para estimar a frequência de consumo de alimentos in natura, minimamente processados, ultraprocessados e bebidas alcoólicas, com controle de variáveis sociodemográficas como renda, escolaridade, sexo e região.
HIPÓTESE
Embora os achados não estabeleçam relação causal, a hipótese é que o estigma social possa levar minorias sexuais a uma situação de estresse que torna seus membros mais propensos a se alimentar mal.
Para o professor do Departamento de Nutrição da UFPB Sávio Gomes, coautor do artigo e orientador do trabalho de conclusão do estudo que originou a pesquisa, esses resultados apontam o valor de produzir informações epidemiológicas sobre saúde e nutrição de minorias sexuais.
Ele argumenta que essa relação não tem sido estudada até então e que o conhecimento a respeito dela pode ajudar no desenvolvimento de políticas públicas voltadas a esse segmento populacional.
“Nesse contexto, estudos como esse provam a necessidade de incluir variáveis de orientação sexual e identidade de gênero nos inquéritos populacionais responsáveis por direcionar políticas públicas, como a Pesquisa de Orçamentos Familiares e a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio, ambas coordenadas pelo IBGE”, aponta Gomes.
O docente da UFPB faz parte de um grupo de pesquisadores que tem estudado a relação entre obesidade, depressão e saúde mental de minorias sexuais, para conhecer possíveis fatores relacionados a essa relação entre o status de minoria e uma alimentação inadequada, incluindo os seus impactos em doenças crônicas não transmissíveis.
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Imagem em destaque: refrigerantes, um dos itens entre os mais consumidos. Foto: arquivo Agência Brasil
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