Cem anos depois da primeira greve geral do Brasil, país pára em 2017

Em entrevista à Rede Macuco, Márcio Pochmann avalia que tende a ser grande a mobilização nesta sexta-feira. Confira vídeos sobre o tema

Por Wagner de Alcântara Aragão

A primeira greve geral ocorrida no Brasil foi em 1917. Cem anos depois, o país deve registrar nesta sexta-feira, dia 28 de abril, uma das maiores paralisações de trabalhadores da história. A expectativa é do economista Márcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo, instituição de pesquisa vinculada ao Partido dos Trabalhadores (PT). A greve geral está sendo convocada por dezenas de entidades, contra as reformas da Previdência e Trabalhistas promovidas pelo governo de Michel Temer, PSDB e demais partidos aliados.

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Em entrevista à Rede Macuco/Jornal Brasil Observer, por telefone, Pochmann avalia que a mobilização social tem crescido frente ao descontentamento do povo com o governo Temer. “A população brasileira está contra o atual governo. O que não há é convergência [entre os que estão na oposição]. [A greve geral] poderá ser essa convergência”, afirma.

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Para o economista, de véspera não é possível dimensionar o tamanho da paralisação articulada por sindicatos e centrais sindicais para esta sexta, 28 de abril. No entanto, diz, pelo que tem conversado com integrantes de movimentos que estão na linha de frente dessa articulação, a sensação é a de que considerável parte das atividades econômicas do país vai parar. “A primeira greve geral do Brasil foi 100 anos atrás. Essa de 2017 deve ser uma das maiores da história.”

Pochmann, que foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2007 e 2012 (governos Lula e Dilma Rousseff), credita essa expectativa ao fato de que diversos setores da sociedade estão se engajando na greve geral. “São instituições religiosas, instituições do próprio Estado, como Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho, explicitando como nunca a importância da mobilização.”

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Na avaliação do professor, ainda falta uma mobilização mais intensa contra a reforma trabalhista, como já ocorre contra a reforma da Previdência. A estratégia adotada pelo governo Temer foi diferente para cada uma das “reformas”, e isso, argumenta Pochmann, fez com que as atenções se concentrasse nas propostas de modificações previdenciárias.

“A reforma da Previdência foi inteira num pacote para o Parlamento. A população conseguiu ficar sabendo do que se tratava. Já a reforma trabalhista foi constituída só de quatro mudanças. Na Câmara dos Deputados é que o relator [Rogério Marinho, PSDB/RN] incluiu mudanças que na prática desconstituem a legislação trabalhista. Foi uma estratégia do governo. Isso dificultou a identificação [por parte dos trabalhadores, da sociedade] das mudanças propostas”, explica o economista.

A seguir, vídeos com argumentos contrários às reformas impostas pelo governo:

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