Da engorda de praia à preservação do jundu, tentativas para conter o mar

Em Ponta Negra, Natal, forte correnteza está afastando banhistas. Em Santos, vegetação costeira está mudando as areias do Gonzaga e da Pompeia. Em Matinhos, no Paraná, alargamento da faixa de areia não está durando


Por Wagner de Alcântara Aragão – waasantista.bsky.social | De Natal (RN) e Santos (SP)

Alanis é mineira, e desde mais nova conhecia Natal. Nesta temporada de verão, radicada na capital potiguar, sentiu uma diferença brutal em Ponta Negra, a mais badalada praia da cidade:

– A correnteza agora te leva. Você tá na beira, vem a onda e de repente você tá no fundo

Para Alanis, não há dúvidas: as águas de Ponta Negra ficaram mais hostis por causa da engorda da praia.

As intervenções completaram um ano nesta temporada (2026).

Maré alta em Ponta Negra, no final de tarde. Foto: Wagner de Alcântara Aragão

Desde que foram concluídas, tem diminuído o número de pessoas se banhando no mar naquele pedaço de quase cinco quilômetros da costa de Natal, observa a moradora.

De fato, da grande quantidade de pessoas sob guarda-sol na areia, não são muitas as que se atrevem buscar o banho de mar. A maioria não passa da faixa de rebento, conforme pudemos conferir in loco.

Segundo a Prefeitura do Natal, a engorda teve como objetivo “recuperar e ampliar a faixa de areia” da Praia de Ponta Negra. A praia sofria com o avanço do mar e erosão.

A engorda foi feita em quatro meses (entre setembro de 2024 e janeiro de 2025).

Mais de 1 milhão de metros cúbicos de areia foram depositados.

Além da correnteza mais agressiva, desde o verão passado banhistas e comerciantes já estavam se queixando da mudança na composição e textura da areia, conforme demonstrou reportagem da Agência Saiba Mais.

DIMINUIÇÃO DA FAIXA DA AREIA EM SANTOS

Em Santos, a diminuição da faixa de areia tem espremido entre o mar e o jardim os frequentadores da Ponta da Praia, da Praia da Aparecida e da Praia do Embaré.

Há evidências de erosão também, com degraus de quase um metro do calçadão para a areia.

Já nas praias do Gonzaga e da Pompeia está ocorrendo o inverso: o mar está mais distante.

As correntezas têm depositado areia por ali. Os canais de drenagem 2 e 3, que antes desaguavam na praia, estão aterrados.

Com frequência, a Prefeitura tem levado esse excesso de areia para o trecho em que a faixa está se estreitando. Não chega a ser uma engorda; apenas um paliativo.

RESSURGIMENTO DO JUNDU

Em compensação, com o alargamento involuntário das praias do Gonzaga e da Pompeia, nesse pedaço vegetação típica de zona costeira está se criando e se firmando.

O jundo é a principal espécie, e está virando xodó.

Jundu em expansão na areia da Praia do Gonzaga, Santos. Foto: Wagner de Alcântara Aragão

“Está salvando as praias de Santos”, atestou reportagem recente do site Juicy Santos.

A Prefeitura tem feito um trabalho de proteção da vegetação e difundido orientações e informações sobre a importância de se conservar a espécie.

NO SUL, ENGORDA NÃO IMPEDIU EROSÃO

No litoral do Paraná, a engorda da praia do município de Matinhos ganhou repercussão nacional no início deste ano pelo insucesso da intervenção.

Uma ressaca no começo de janeiro levou a areia depositada, e da erosão se formou um paredão na costa.

Evento similar ocorrera em setembro, como noticiou o JB Litoral.

Devido a essas ocorrências, a Comissão de Economia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa protocolou denúncia no Ministério Público do Estado do Paraná, informou o jornal Plural. A engorda da praia em Matinhos, realizada pelo Governo do Estado, custou mais de meio bilhão de reais.


Imagem em destaque: vista da Praia de Ponta Negra, em janeiro deste ano. Foto: @waasantista


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