ONU alerta para crise humanitária em Cuba, gerada pelo bloqueio dos EUA

Representante das Nações Unidas no país apresentou a jornalistas, por videoconferência, panorama preocupante, em que crianças, mulheres e pessoas idosas estão sendo as mais afetadas


Da ONU News | De Havana (Cuba)

O líder das Nações Unidas em Cuba, Francisco Pichón, alertou para a piora da situação humanitária no país, agravada pela crise energética e intensificada pelos efeitos do furacão Melissa, que afetou a ilha caribenha em outubro passado.

Segundo ele, existe um impacto “sistêmico e crescente” da crise energética, que atinge o sistema de saúde, o acesso à água e aos alimentos e ao transporte.

O representante da ONU, Francisco Pichón, contou que em três meses, Cuba não recebeu nenhum litro de combustível, e que por isso, as Nações Unidas lançaram no final de março um Plano de Ação para viabilizar a capacidade de resposta à crise de contingência energética.

BLOQUEIO DOS ESTADOS UNIDOS

Em entrevista a jornalistas, por videoconferência, Pichón afirmou que a escassez de combustível piorou depois que os Estados Unidos bloquearam a entrada de suprimentos de petróleo na nação caribenha no final de janeiro.

Na semana passada, no entanto, as autoridades americanas permitiram que um carregamento de petróleo da Rússia atracasse em Cuba por razões humanitárias, mesmo assim a quantidade não é suficiente.

O Plano de Ação visa auxiliar aproximadamente dois milhões de pessoas em 63 municípios distribuídos por oito províncias, em comparação a 1 milhão de cubanos, como inicialmente previsto.

MILHARES DE CRIANÇAS SEM AULA E VACINAS

Entre os números mais preocupantes estão mais de 96 mil cirurgias adiadas, incluindo as de 11 mil crianças.

Em torno de 32 mil gestantes estão em risco devido ao acesso instável aos serviços pré-natais, enquanto 3 mil crianças enfrentam atrasos na vacinação.

Além disso, a população sofre com apagões prolongados e 1 milhão de pessoas foram afetadas, pois dependem de água entregue por caminhões-pipa.

Quase meio milhão de crianças e adolescentes precisam frequentar aulas em horário reduzido.

Os idosos também sofrem as consequências da crise.

Pichón observou que Cuba tem a população mais idosa da América Latina, o que obviamente agrava sua vulnerabilidade.

De acordo com publicações nas redes sociais, os cubanos estão criando maneiras de lidar com a crise, como um engenheiro que adaptou seu carro para funcionar com carvão em vez de combustível.

A ONU está comprometida em reduzir a dependência de combustíveis.

As soluções propostas incluem sistemas de irrigação movidos a energia solar, painéis solares para hospitais e escolas, reforço da infraestrutura de bombeamento de água com energia renovável e implantação de equipamentos de energia para garantir a continuidade dos serviços essenciais.

No entanto, o líder da ONU em Cuba alerta que o apoio da comunidade internacional é crucial: são necessários US$ 94 milhões para implementar a resposta, com um deficit atual de quase US$ 60 milhões.


Imagem em destaque: paisagem urbana de Havana. Foto: Unsplash/iggii/ divulgação ONU News


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