Florestania, difundida por Christiane Torloni em documentário, vira disciplina de pós-graduação

Ela integra a grade curricular do mestrado e doutorado nas áreas de Biologia, Meio Ambiente e Direito, da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos


Da Unisanta | De Santos (SP)

O conceito de Florestania, que ganhou projeção nacional e internacional com documentário da atriz e diretora Christiane Torloni, agora é disciplina de pós-graduação.

Ela integra a grade curricular do mestrado e doutorado nas áreas de Biologia, Meio Ambiente e Direito, da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos.

O lançamento da nova disciplina ocorreu oficialmente nesta semana, com a exibição do próprio filme (“Amazônia, o despertar da Florestania”), seguida de debate com Christiane Torloni.

O evento, aberto ao público em geral, foi realizado na noite de terça-feira, 25 de março, na Unisanta.

A atividade integrou também a programação prévia do Fórum Esferas, iniciativa conjunta da Unisanta, da Universidade de Coimbra e da Prefeitura Municipal de Santos.

SOBRE O CONCEITO

O conceito de Florestania está no cerne da narrativa do documentário.

A palavra é um neologismo que sintetiza a ideia de cidadania associada aos direitos da floresta e ao pertencimento social e cultural aos territórios florestais.

Para Christiane Torloni, o termo representa uma transformação na forma como o Brasil compreende sua identidade e seu papel ambiental no mundo.

SOBRE A DISCIPLINA

A disciplina será coordenada pela professora doutora Patrícia Gorisch, que destaca a importância de construir abordagens transdisciplinares capazes de integrar ciência, tecnologia, governança, ética ecológica, narrativas socioambientais e justiça ambiental.

“A Florestania nos convida a repensar os fundamentos do desenvolvimento e da própria ciência ambiental. Trata-se de ampliar o olhar para integrar saberes tradicionais, inovação tecnológica e responsabilidade coletiva”, ressalta.

A atriz e diretora ficou emocionada ao saber que o conceito desenvolvido no documentário se transformaria em módulo acadêmico. “Ver a Florestania chegar à universidade como disciplina é perceber que a arte pode provocar mudanças reais e estruturais”, pontua.

CARGA HORÁRIA

Com carga horária de 24 horas, a disciplina Florestania será oferecida a partir de abril, às sextas-feiras, das 19h às 22h, como eletiva de eixo temático inovador no programa de pós-graduação da Unisanta.

A equipe docente reúne especialistas de diferentes áreas: além de Patrícia Gorisch, participam a professora Sheila Mello, com enfoque em narrativas socioambientais, literatura e memória ambiental, e o professor Luciano Pereira de Souza, que abordará ecologia política, governança e epistemologias críticas.

PROPOSTA ACADÊMICA

A proposta acadêmica posiciona a floresta como sujeito político e território epistêmico, promovendo uma revisão das bases antropocêntricas que historicamente estruturam a ciência e a política ambiental.

O módulo integra cidadania ecológica, epistemologias do Sul, justiça ambiental, espiritualidade ecológica, ciência crítica e governança ambiental global.

O objetivo central é analisar a Florestania como um possível paradigma civilizatório capaz de articular ciência, tecnologia, política e ética ecológica, oferecendo novas bases para o desenvolvimento sustentável e para a governança ambiental contemporânea.

A iniciativa busca formar pesquisadores aptos a enfrentar desafios complexos do século XXI, com enfoque em desenvolvimento sustentável, ecologia política, direitos da natureza e diplomacia ambiental.

O documentário “Amazônia, o Despertar da Florestania” (Brasil, 111 minutos), dirigido por Christiane Torloni e Miguel Przewodowski, propõe uma reflexão ambiental e política sobre o modo como a Floresta Amazônica e a questão ambiental vêm sendo tratadas no Brasil desde o início do século XX.

A narrativa é construída por meio do resgate de personagens históricos e de depoimentos de representantes de diferentes setores da sociedade, incluindo lideranças indígenas, ambientalistas, artistas, jornalistas e intelectuais.

Entre os nomes presentes na obra estão Ailton Krenak, Benki Piyãko, Marina Silva, André Trigueiro, Milton Nascimento, entre outros.

O filme articula múltiplas vozes para defender a centralidade da Amazônia como patrimônio brasileiro e discutir a necessidade de proteção ambiental em diálogo com os povos da floresta.


Imagem em destaque: Christiane Torloni, no debate na Unisanta. Foto: divulgação/ Unisanta


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