A importância, para as escolas de samba, da radiodifusão aberta

Desfiles fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro são transmitidos ao país e ao mundo por emissoras públicas, estatais e educativas, viabilizadas pelo princípio da complementaridade do sistema


Por Wagner de Alcântara Aragão, especial para a Revista Intertelas | Do Rio de Janeiro (RJ)

O Carnaval 2026 das escolas de samba emocionou com a homenagem da campeã Viradouro, no Rio de Janeiro, ao Mestre Ciça, e com o enredo sobre Léa Garcia, da Mocidade Alegre, que conquistou o título em São Paulo.

Mas, graças à atuação de emissoras de televisão públicas, estatais ou educativas, o Brasil teve a oportunidade de acompanhar também a arte carnavalesca produzida em vários outros cantos do país.

Essas emissoras, locais ou regionais, transmitiram os desfiles das escolas de samba tanto pelos seus canais de televisão como pela internet.

Com isso, de qualquer parte do planeta foi possível acompanhar apresentações que não só as badalas e luxuosas exibições do grupo especial paulistano e carioca.

Os desfiles das escolas de samba de Belém, por exemplo, tiveram transmissão em tempo real e completa da TV Cultura do Pará, a rede de comunicação pública daquele estado.

A transmissão se deu igualmente pelo canal da organização no YouTube e, pelos comentários dos espectadores, havia gente de diferentes pontos do Brasil e do mundo, acompanhando.

Os desfiles em Belém ocorreram nas noites de 27 e 28 de fevereiro, portanto depois do Carnaval.

Na mesma data também foram os desfiles das escolas de samba de Porto Alegre, transmitidos na íntegra pela TVE do Rio Grande do Sul e, em boa parte (de todas as escolas do grupo ouro), pela TV Brasil, para todo o território nacional.

Pelo YouTube também foi possível assistir – e de tudo quanto era região do país havia público na audiência.

A TV Brasil deu visibilidade ainda aos desfiles das escolas de samba de Vitória.

As apresentações na capital capixaba são antecipadas – neste ano, foram realizadas nos dias 6 e 7 de fevereiro. Localmente, os desfiles tiveram transmissão da TVE do Espírito Santo e da Assembleia Legislativa daquela unidade da federação.

Em Santos, os desfiles também se deram nas noites de 6 e 7 de fevereiro.

A Santa Cecília TV, emissora da Universidade Santa Cecília (UniSanta), exibiu, pelo sinal de televisão e pela internet, todas as apresentações – inclusive das agremiações do grupo de acesso.

A audiência também rompeu limites regionais e fronteiras nacionais.

Todas essas exibições reafirmam a importância do princípio da complementaridade do sistema de radiodifusão aberta, estabelecido pela Constituição da República.

Por esse princípio, os canais de rádio e televisão no Brasil devem ser distribuídos entre entes privados, públicos e Estatais.

Expresso no artigo 223 da Constituição de 1988, desde então o princípio da complementaridade nunca foi regulamentado.

Se essa regulamentação tivesse ocorrido, os fatos aqui relatados não seriam exceção.

Seguramente teríamos uma radiodifusão mais diversificada, plural, multicultural, e menos centrada nos oligopólios do eixo São Paulo-Rio de Janeiro.

A regulamentação desse e de outros artigos da Constituição que tratam da Comunicação Social é pleito antigo de pesquisadores, profissionais, movimentos sociais, militantes e cidadãos e cidadãs em geral.

Foi reafirmado na primeira e até agora única Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009.

Mesmo com as inovações tecnológicas que se sucederam e se aceleraram de lá para cá, a complementaridade do sistema de radiodifusão aberta segue como necessidade atual e urgente.

Estamos em vias de colocar no ar a chamada TV 3.0, que deve reconfigurar o conceito de televisão aberta. Mas, para se modernizar, a televisão brasileira não precisa só de avanços técnicos.

Carece de romper com o modelo de “capitanias hereditárias” que caracteriza a concessão de seus canais.


Imagem em destaque: desfile da X-9, em Santos, transmitido pela emissora educativa Santa Cecília TV. Crédito: Fernando Godoy/ divulgação Liga das Escolas de Samba de Santos


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