28 de fevereiro, Dia da Resistência Portuária, remete à data em que, 35 anos atrás, uma cidade parou contra demissões em massa no cais santista, promovida pelo projeto neoliberal do governo de então, de Fernando Collor de Melo
Por Wagner de Alcântara Aragão, com informações do Instituto Telma de Souza | De Curitiba (PR) e Santos (SP)
A aula na última sexta-feira, 27 de fevereiro, foi diferente em uma escola pública no bairro do Saboó, em Santos.
A escola se chama 28 de Fevereiro.
E a aula consistiu na exibição de um documentário, cujo conteúdo acaba por explicar por que a unidade de ensino leva esse nome.
O documentário exibido foi “28 de fevereiro – a vitória da resistência”.
O filme relembra o movimento popular em Santos, que parou a cidade em 28 de fevereiro de 1991, porque o governo federal, presidido por Fernando Collor de Melo, decretara dias antes a demissão de 5.372 trabalhadores do Porto de Santos.
De uma só vez.
Quase 5,4 mil famílias se viram, de uma hora para outra, diante do desemprego.
E sem motivo algum – apenas vitimadas por políticas neoliberais que são caracterizadas exatamente por isso, por desemprego, arrocho e outras mazelas socioeconômicas.
A CIDADE SE MEXEU
Sob liderança da então prefeita Telma de Souza (PT), a cidade de Santos se mexeu.
Telma foi pessoalmente a Brasília; famílias acampavam à porta da sede da companhia docas.
O ponto alto da mobilização foi a greve geral do mencionado 28 de fevereiro de 1991.
Comércio, serviços, tudo parou em solidariedade e apoio à luta.
REPERCUSSÃO MUNDIAL
O episódio correu o mundo, afinal se tratava do maior porto da América Latina, do maior porto do hemisfério sul.
Naquele mesmo 28 de fevereiro, Telma recebe da capital nacional um telegrama, do ministro da Justiça, Jarbas Passarinho: as demissões estavam canceladas.
Venceu a luta política, a consciência de classe, a união dos trabalhadores e suas família, a solidariedade de toda uma cidade.
Essa história em mais detalhes já contamos aqui na Rede Macuco – você pode ler clicando neste link.
Dia destes, o Juicy Santos produziu também uma bonita reportagem contando o episódio (acesse aqui).
O episódio também está entre os temas abordados no livro “Santos, 1989 – as políticas públicas que inspiraram um país (e o mundo também)”, publicado pela Alameda Editorial.
A exibição do documentário na 28 de Fevereiro foi promovida pelo Instituto Telma de Souza, para celebrar os 35 anos daquele dia histórico.
“A atividade contou com a presença de participantes da mobilização da época, enriquecendo o debate e aproximando os estudantes desse capítulo marcante da história da cidade”, informa o Instituto Telma de Souza.
O texto ressalta: “A escola [28 de fevereiro] é um símbolo dessa história de luta e conquistas dos trabalhadores portuários. O Instituto reconhece o trabalho da direção e da coordenação pedagógica, que mantêm viva essa trajetória junto às novas gerações, valorizando o episódio que deu origem ao nome da unidade”.
O NOME DA ESCOLA E O DIA DA RESISTÊNCIA PORTUÁRIA
A unidade de ensino, construída na gestão da própria Telma, recebeu o nome de 28 de Fevereiro para que a data seja sempre, sempre lembrada.
A lei municipal 804/1991, sancionada por Telma em 28 de novembro daquele ano, instituiu no calendário de Santos o 28 de fevereiro como o “Dia da Resistência Portuária”.
Imagem em destaque: exibição do documento “28 de fevereiro – a vitória da resistência” a estudantes da escola 28 de Fevereiro, no Saboó, em Santos. Foto: Instituto Telma de Souza
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