Por dia, quatro mulheres no Brasil são assassinadas vítimas desse tipo crime; estrutura patriarcal da sociedade está na base do problema, apontam integrantes do Mulheres Vivas
Com informações da Agência Brasil | De Brasília (DF)
A semana começa depois de um domingo, 7 de dezembro, marcado por atos em dezenas de cidades do Brasil, em protesto contra o feminicídio no país.
A mobilização nacional foi convocada por movimentos reunidos no Levante Mulheres Vivas, depois de uma sequência de casos de violência contra mulheres.
No final de novembro, em São Paulo, a jovem Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso acusado do crime.
Na mesma semana, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ) no Rio de Janeiro foram mortas a tiros por um funcionário da instituição que se matou em seguida.
Na última sexta-feira, dia 5, foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigado como feminicídio, após o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato.
DADOS
Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.
Em 2024, 1.459 mulheres foram mortas por feminicídio. É dizer: em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero.
Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios.
Nos atos deste domingo, a maior presença foi de mulheres.
Mas houve participação de homens também, chamados que estão à conscientização sobre a gravidade da situação.
“É preciso convocar os homens a discutir, a refletir sobre sua masculinidade tóxica. Trazê-los como aliados para essa luta, porque é uma luta de todas e todos para que possamos mudar o projeto de sociedade”, disse no ato em Brasília a cineasta e professora Renata Pereira, integrante do Levante Feminino contra o Feminicídio.
Também na capital federal, a militante do Movimento Negro Unificado (MNU), Leonor Costa, destacou que a forma patriarcal como a sociedade foi estruturada ao longo dos séculos contribui para uma espécie de “epidemia” de feminicídios no Brasil.
“O patriarcado é quando a sociedade se estrutura a partir da lógica de que o homem, de que o gênero masculino, tem o poder, e o poder é centralizado neles, a partir deles, e é a partir deles que as coisas acontecem”, declarou ao repórter Lucas Pordeus León.
Imagem em destaque: registro do ato em Brasília, por Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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