Depois do recorde de medalhas em Tóquio, a preparação para Paris 2024

Portugal deverá ser a base principal das equipes brasileiras, na Europa; confira balanço da participação do Brasil na Olimpíada 2020/2021


Do Comitê Olímpico do Brasil (COB/Time Brasil) | De Tóquio (Japão)

A jornada rumo aos Jogos Olímpicos Paris 2024 já começou para o COB (Comitê Olímpico do Brasil) bem antes de a pira olímpica ser apagada em Tóquio.

O COB (Comitê Olímpico do Brasil) já iniciou o planejamento e as viagens de inspeção para buscar proporcionar as melhores condições possíveis para que os atletas possam atingir o pico de suas performances no evento francês.

As primeiras ações visam conhecer e mapear o cenário que os brasileiros vão encontrar na França e ainda encontrar alternativas dentro da Europa para a preparação dos esportistas antes e durante os Jogos.

O COB já fez duas viagens ao continente europeu e vai realizar a próxima em outubro deste ano, quando pretende fechar a estrutura de treinamento para a equipe de vela em Marselha, na Espanha.

Portugal, que recebeu a Missão Europa, solução encontrada pelo Comitê para assegurar o treinamento dos atletas em meio à pandemia, deve ser a base principal do Time Brasil na Europa no período que antecede os Jogos parisienses.

O trabalho realizado na preparação do último ciclo olímpico ajudou deu: das 13 modalidades que passaram por Portugal, nove conquistaram medalhas em Tóquio.

DINÂMICA DE PREPARAÇÃO

A dinâmica de preparação para Paris 2024 deve ser diferente da montada para o Japão, uma vez que diversas modalidades e confederações já estão habituadas a competir e treinar no continente europeu e a adaptação ao fuso horário é mais tranquila.

“A base principal deve ser Portugal, um comitê olímpico com que temos uma relação muito boa e que foi extremamente parceiro durante a pandemia. Essa deve ser nossa base-mãe na preparação que antecede os Jogos. Durante o evento teremos também uma base em Paris dando suporte aos atletas. Nesse momento, vamos identificando os locais e decidindo internamente quais são as melhores alternativas por questões logísticas e de custos”, afirma o diretor de esportes do COB, Jorge Bichara.

Para modalidades como o hipismo, por exemplo, o transporte dos animais, que já estão na Europa, será bem mais tranquilo.

Outras modalidades terão seus materiais de treino enviados para o continente europeu nos próximos meses.

“Aparentemente teremos uma dinâmica mais tranquila do que no Japão, já que muitas confederações já têm suas estruturas tradicionais da Europa. Gostamos muito de Espanha e Portugal pela proximidade de cultura e idioma que facilita para os atletas. Vamos buscar o melhor para dar todo o suporte aos nossos atletas”, completa Bichara.

O Brasil inicia a caminhada rumo a Paris após sua campanha mais bem-sucedida da história, com 21 medalhas conquistas em Tóquio 2020 (7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes).

Foi o maior número de ouros em uma edição (sete), igualando o Rio 2016; e pódios em 13 modalidades, outra marca inédita no evento.

O Brasil terminou a competição em 12° lugar no quadro de medalhas.

(Brasil e Cuba, aliás, foram os destaques da América Latina em Tóquio 2020. Confira mais sobre o desempenho latino americano clicando aqui)

“Entregamos o que tínhamos como meta, que era superar o Rio 2016. Estar em 12° lugar no mundo, numa competição com 206 países, é um índice importante. Tenho convicção que o trabalho foi feito com muito gosto, vontade e determinação. Entregamos o que tínhamos como meta, e estamos satisfeitos com o resultado”, sublinha o presidente do COB, Paulo Wanderley.

Esta é apenas a segunda vez que um país apresenta melhora de resultados após ter sediado os Jogos na edição anterior.

Antes, somente a Grã-Bretanha havia alcançado tal feito: abrigou o evento em Londres 2012 e obteve um desempenho superior no Rio 2016.

Um dos trunfos desta campanha foi o desempenho feminino.

Pela primeira vez, as brasileiras conquistaram 3 ouros em uma edição e totalizaram nove pódios (foram ainda 4 pratas e 2 bronzes).

Ao todo, as mulheres conquistaram 42,3% das medalhas do país, superando os 41,2% de Pequim 2008 (2 ouros, 1 prata e 4 bronzes).

PREMIAÇÕES

Em retribuição aos excelentes resultados obtidos, o COB oferece aos medalhistas olímpicos as maiores premiações em dinheiro já distribuídas pela entidade: foram R$250 mil aos campeões em provas individuais, R$ 500 mil para duplas e R$ 750 mil aos esportes coletivos.

Em cada categoria, os vice-campeões vão receber 60% deste valor e os medalhistas de bronze, 40%.

Além disso, houve um investimento expressivo voltado especificamente aos Jogos Olímpicos, que, apesar de terem sido realizados em 2021, começaram há alguns anos.

“Nossa preparação para Tóquio começou em 2013, com um custo total aproximado de R$ 65 milhões, sendo R$ 46mi esse ano. Esse custo teve o impacto do enfrentamento à pandemia e também uma variação cambial de dólar e euro que trouxe grande impacto para a nossa organização. E nós temos entregado os resultados esportivos. Foi assim no Pan de Lima, nos Jogos Mundiais de Praia, em Doha, e foi assim em Tóquio”, detalha o diretor geral do COB, Rogério Sampaio.

PROTOCOLOS CONTRA A COVID-19

Mas a Missão Tóquio 2020 não foi um sucesso para o Time Brasil apenas no âmbito esportivo. Graças aos protocolos extremamente rigorosos aplicados pelo COB e o compromisso assumidos por atletas, treinadores e oficiais, nenhum caso positivo foi registrado na delegação brasileira durante os Jogos.

E, mesmo com boa parte dos integrantes vacinada, os cuidados com a saúde seguiram sendo os mesmos: testagem diária obrigatória e monitoramento dos riscos pela equipe médica, entre outras medidas.

“E o nosso protocolo também seguirá com o monitoramento por 14 dias no retorno ao Brasil. Vamos monitorar a nossa delegação e ver se há algum sintoma porque, querendo ou não, todos vão enfrentar uma viagem de mais de 24 horas para voltar ao Brasil”, explica a infectologista Beatriz Perondi, que integrou a Missão brasileira pela primeira vez e é especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, além de coordenadora da área de situações extremas do Hospital de Clínicas de São Paulo.


Imagem em destaque: a ginasta Rebeca Andrade, porta-bandeira do Brasil na cerimônia de encerramento de Tóquio 2020. Foto: Miriam Jeske/COB




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