Estudo mapeia relação de câncer de mama com agrotóxico

Sudoeste do Paraná, onde se concentra a pesquisa feita pela Unioeste, tem 30% mais casos por ano do que a média nacional


Por Mara Vitorino e Milena Griz, da Central de Notícias da Unioeste | De Francisco Beltrão (PR)

O curso de Medicina da Universidade Estadual do Oeste (Unioeste), Campus de Francisco Beltrão, está fazendo um mapeamento sobre a relação da exposição de agrotóxicos e o desenvolvimento de câncer de mama.

O trabalho é o foco central do projeto “Mapeamento do câncer de mama familial no Sudoeste do Paraná e estudo da associação de risco com a exposição ocupacional à agrotóxicos”, coordenado pela docente do curso, Carolina Panis e supervisionado pelo médico oncologista, Daniel Rech.

O mapeamento só foi possível graças a uma parceria entre o curso, Hospital do Câncer (Ceonc) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

O levantamento abrange dados da 8ª Regional de Saúde do Paraná, que engloba 27 municípios da região Sudoeste do estado.

De acordo com o mapeamento, o Sudoeste paranaense apresenta um alto índice de casos de câncer de mama.

Para se ter uma ideia, a média nacional é de 63 casos de câncer de mama ao ano; na região esse número salta para 90, um dado preocupante, pois corresponde a uma diferença de aproximadamente 30% a mais do que a estatística do restante do país.

A partir do golpe de 2016, liberação de agrotóxicos atinge patamares como nunca. Coincidência?

O projeto tem um banco de dados com mil amostras, de pacientes diagnósticas.

Do início do trabalho até o momento, foram entrevistas aproximadamente 4 mil mulheres.

Segundo estudos científicos comprovados, a exposição a agrotóxicos eleva a produção de estrogênio além do normal, o que favorece o desenvolvimento de tumores malignos.

A pesquisadora Carolina Panis relata que o projeto identificou que o câncer de mama em mulheres agricultoras é mais agressivo.

Um dos motivos é o contato mais próximo com os pesticidas (substâncias utilizadas para controle de pragas).

“O nosso foco é estudar a exposição severa que ocorrem com mulheres que semanalmente trabalham manipulando o veneno”, reafirma a coordenadora do estudo.

Este gráfico mostra que o poder político é instrumento do poder econômico.

Atualmente uma série de estudos científicos aponta a exposição a agrotóxicos como fator de risco para desencadeamento do câncer de mama.

Esses estudos reforçam a tese de que a exposição a esses pesticidas pode alterar atividade promotora para induzir aumento de estrogênio, portanto, a proliferação de células cancerígenas.

Para fazer parte do projeto, a mulher entra como voluntária, assinando termo de compromisso que elucida informações como é feito o mapeamento, bem como o sigilo dos dados. Na pandemia do novo coronavírus, o projeto não parou e manteve o levantamento também de forma remota.

Também participam do projeto o Programa Pós-Graduação Stricto Sensu de Ciências Aplicadas à Saúde de Francisco Beltrão e a liga acadêmica de oncologia clínica e cirúrgica. No momento, a equipe conta com quatro bolsistas de extensão e de pesquisa.


Imagem em destaque: arte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ilustrando a prática da pulverização de agrotóxicos atingindo as pessoas.



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