Mostra virtual registra mais de 30 anos de luta do movimento negro

Estreia é neste 13 de maio. Exposição “Memórias da resistência negra” reúne 55 imagens, divididas em oito temas


Da Revista Afirmativa | De Salvador (BA)

O Zumví Arquivo Afro Fotográfico registra a cerca de 30 anos as manifestações do movimento negro e o cotidiano dos afrodescendentes em diversas temáticas e contextos populares.

A partir de hoje, 13 de maio, está no ar o site www.zumvi.com.br e a exposição virtual “Memórias de resistências negras”.

São 55 imagens que trazem oito temas de importantes momentos da história e trajetórias do movimento negro:

  • Militantes Falecidos do MNU [Movimento Negro Unificado]
  • Nelson Mandela na Bahia
  • Política de Ações Afirmativas
  • Grupo de Mulheres MNU
  • Manifestação Contra Intolerância
  • Quilombo Rio das Rãs
  • Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro
  • Três Grandes Pautas

A mostra virtual revisa a exposição presencial realizada com sucesso em Salvador, em 2018.

A curadoria é de Tina Melo, que selecionou imagens que substituem muitas palavras, transportando o público para momentos históricos decisivos e narrativas que não constam nos livros e nas cartilhas escolares, em uma tentativa de subalternizar e deslocar o protagonismo do povo negro.

MAIS ACERVO

Além de abrigar a exposição, o site traz um catálogo virtual. O intuito é democratizar o acesso ao acervo para pesquisadores e população em geral interessados em fotografia e o percurso de fotógrafos negros.

O acervo, composto por cerca de 30 mil negativos sobre a cultura afro-baiana, estará disponível no site à medida em que for digitalizado.

“No segundo semestre pretendemos começar a executar o projeto de digitalização + plataforma digital, e quando a plataforma estiver pronta o internauta poderá acessar todas as imagens”, adianta o fotógrafo Lázaro Roberto, idealizador do Zumví.

SOBRE O ZUMVÍ

O Zumví Arquivo Afro Fotográfico surgiu em 1990 pelas mãos dos fotógrafos Lázaro Roberto, Ademar Marques e Raimundo Monteiro, três jovens negros das periferias de Salvador comprometidos com o registro das atividades culturais e políticas, e a produção de imagens da cultura afro-brasileira.

Com o lema “Fotografar hoje para o futuro”, produziam fotografia documental, ou fotojornalismo, criando um “Quilombo Visual”, uma afro maneira de registrar e criar um arquivo de memórias imagéticas dos negros, algo jamais feito no Brasil contemporâneo.

O nome “Zumví” é uma palavra fotográfica criada a partir do “Zum” da lente, e “VI” do olho, é trazer a realidade que está longe, mais para perto.

Atualmente, o projeto é coordenado por Lázaro e com produção executiva do historiador José Carlos Ferreira, que também vem desenvolvendo e facilitando pesquisas acadêmicas sob o acervo no campo da memória, da cultura e da raça.

DOAÇÕES

O acervo, nos cerca de 30 anos, recebeu muitas colaborações, como a do poeta e militante Jonatas Conceição da Silva, que doou todo seu acervo, composto de 1.618 fotogramas, em P&B, e colorido, em 2006, pouco antes de seu falecimento.

Também o fotógrafo Rogério Conceição, desde 2016, vem doando seu material fotográfico, que são os registros de eventos do movimento negro nas décadas de 80 e 90.

AUDIOVISUAL

Em 2020, o Zumví recebeu uma doação de arquivos, no campo do audiovisual e do cinema negro.

Parte do acervo do cineclubista e militante Luiz Orlando, falecido em 2006, foi doado pela sua família, que se encontra em dois meios: o físico, com cerca de 8.273 laudas, são fotografias, documentos, cartazes, xerox, cadernetas, entre outros; e o digital, 8.273 documentos de caráter diversos, como jornais e impressos.

TEMÁTICAS

O acervo é dividido pelas seguintes temáticas: Afoxé, Artistas negros, Blocos Afros, Blocos de Índio, Capoeira, Quilombo Praia Grande Ilha de Maré, Cordeiros, Estética Negra, Feira de São Joaquim, Festas Populares, Hip Hop, Irmandades Negras, LGBT, Moradia, Moradores de Rua, Movimento de Mulheres Negras, Movimento Negro, Movimentos Sociais, Pichação, Quilombo, Religiosidade, Subúrbio Ferroviário, Universo Reggae e Vendedores Ambulantes.

LEI ALDIR BLANC

O projeto da exposição foi contemplado pelo Prêmio Anselmo Serrat de Linguagens Artísticas, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura Municipal de Salvador, por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, com recursos oriundos da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal.


Imagem em destaque: milhares de pessoas na Praça Castro Alves, em Salvador, para acompanhar Nelson Mandela. Ano: 1991. Foto. Jônatas Conceição



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