Mais pesquisas são necessárias para analisar efeitos da covid-19 em crianças

Segundo a OMS, falta identificar melhor fatores que colocam esse público em maior risco e também os efeitos de longo prazo para quem contraiu o coronavírus


Da ONU Brasil | Do Rio de Janeiro (RJ)

Mais pesquisas são necessárias para determinar os fatores que aumentam o risco de covid-19 grave entre crianças e adolescentes.

O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), acrescentando que, embora as crianças possam ter sido amplamente poupadas de muitos dos efeitos mais graves, elas sofreram de outras maneiras.

“Nove meses após o início da pandemia, muitas questões permanecem, mas estamos começando a ter uma imagem mais clara. Sabemos que crianças e adolescentes podem ser infectados e podem infectar outras pessoas”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A advertência foi feita em entrevista coletiva na terça-feira, dia 15, ao lado dos chefes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“Sabemos que este vírus pode matar crianças, mas que as crianças tendem a ter uma infecção mais branda e há poucos casos graves e mortes por covid-19 entre crianças e adolescentes.”

De acordo com dados da OMS, menos de 10% dos casos notificados e menos de 0,2% das mortes ocorrem em pessoas com menos de 20 anos.

No entanto, pesquisas adicionais são necessárias sobre os fatores que colocam crianças e adolescentes em maior risco.

Além disso, os efeitos potenciais de longo prazo para a saúde daqueles que foram infectados permanecem desconhecidos.

Embora as crianças tenham sido poupadas de muitos dos efeitos mais graves do vírus para a saúde, elas sofreram de outras maneiras, disse Tedros, acrescentando que o fechamento de escolas atingiu milhões de crianças em todo o mundo.

Dadas as diferentes situações entre os países – alguns onde as escolas foram abertas e outros, onde não – a Unesco, o Unicef e a OMS publicaram orientações atualizadas sobre medidas de saúde pública relacionadas com as escolas no contexto da covid-19.

Com base nas evidências científicas mais recentes, o guia fornece conselhos práticos para escolas em áreas sem casos, casos esporádicos, grupos de casos ou transmissão comunitárias.

As orientações foram desenvolvidas com a contribuição do Grupo Técnico Consultivo de Especialistas em Instituições Educacionais e covid-19, estabelecido pelas três agências da ONU em junho.

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, também destacou a importância da escola, não apenas para o ensino, mas também para fornecer saúde, proteção e – às vezes – serviços de nutrição.

É PRECISO QUE A ESCOLA TENHA SEGURANÇA

Além de reabrir escolas com segurança, a atenção deve se concentrar em garantir que ninguém seja deixado para trás, acrescentou Azoulay, advertindo que em alguns países, as crianças estão faltando às aulas, em meio ao temor de que muitos – especialmente as meninas – podem nunca mais voltar às escolas.

Paralelamente, garantir o fluxo de informação e comunicação adequada entre professores, gestores escolares e familiares; e definir novas regras e protocolos, incluindo funções e treinamentos para professores, gerenciamento de horários escolares, revisão de conteúdo de aprendizagem e fornecimento de suporte corretivo para perdas de aprendizagem são igualmente importantes, disse ela.

“Quando lidamos com educação, as decisões que tomamos hoje terão impacto no mundo de amanhã”, disse a diretora-geral da Unesco.

EMERGÊNCIA GLOBAL

No entanto, com metade da população estudantil global ainda sem possibilidades de retornar às escolas e quase um terço dos alunos do mundo incapaz de acessar o ensino à distância, a situação é “nada menos que uma emergência educacional global”, disse a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore.

“Sabemos que fechar escolas por períodos prolongados de tempo pode ter consequências devastadoras para as crianças”, acrescentou ela, destacando o aumento do risco de exposição à violência física, sexual ou emocional.

A situação é ainda mais preocupante tendo em conta os resultados de uma recente pesquisa do Unicef, que descobriu que quase um quarto dos 158 países questionados, em seus planos de reabertura de escolas, não havia definido uma data para permitir que os alunos voltassem às salas de aula.

“Para os mais marginalizados, faltar à escola – mesmo que apenas por algumas semanas – pode levar a resultados negativos que duram a vida toda”, advertiu Fore.

ESCOLA ABERTA SÓ QUANDO HOUVER CONDIÇÕES

Ela pediu aos governos que priorizem a reabertura de escolas, quando as restrições forem suspensas, e se concentrem em todas as coisas de que as crianças precisam – aprendizado, proteção e saúde física e mental – e garantam que o melhor interesse de cada criança seja colocado em primeiro lugar.

E quando os governos decidem manter as escolas fechadas, eles devem ampliar as oportunidades de aprendizagem remota para todas as crianças, especialmente as mais marginalizadas.

“Encontre formas inovadoras – incluindo online, TV e rádio – para manter as crianças aprendendo, não importa o que aconteça”, enfatizou Fore.


Imagem em destaque: volta às aulas em Phnom Penh, Camboja. Alunos, professores e administradores escolares usam máscaras e mantêm o distanciamento físico. Foto: Unicef/Seyha Lychheang


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