Ensino de inglês a partir de textos de intelectuais negros

É o que desenvolve um curso promovido pela UFPE; proposta é escapar à lógica eurocêntrica, que costuma ser predominantes


Da UFPE | De Recife (PE)

Aprender inglês por meio da leitura e discussão de textos acadêmicos de intelectuais negros é a proposta do projeto de extensão Inglês Afrocentrado, realizado pelo Laboratório de Educação das Relações Étnico-Raciais (Laberer) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

As aulas ocorrem às quartas e sextas-feiras, das 13h às 14h, no Centro de Educação (CE), mas vêm sendo realizadas digitalmente durante a pandemia.

De acordo com a professora do Departamento de Administração Escolar e Planejamento Educacional (Daepe) Maria da Conceição dos Reis, líder do Laberer, o projeto inclui não apenas as aulas de inglês instrumental, mas também conferências e compra de livros e materiais, em uma perspectiva afrocentrada.

“Vamos em busca de autores africanos pouco conhecidos, de um outro olhar, para não ficar centrados em autores eurocêntricos”, explica.

A professora continua: “A ideia surge quando a gente começa a perceber que há muitos autores africanos que a gente não conhece porque não há publicação em português. Muita gente não aprendeu inglês na escola pública, então o grupo começou com a gente querendo aprender”, completa.

VAGAS

O curso começou sendo direcionado apenas para o grupo do Laberer, mas abriu vagas para militantes do movimento negro e a parceria hoje engloba a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, o curso de inglês Aya Education, a Biblioteca Setorial do CE e o Laboratório de Gestão de Políticas de Saúde, Esporte e Lazer (Labgespp).

Há 30 pessoas inscritas na turma, mas novos participantes podem entrar caso surjam vagas ociosas.

A estudante de Pedagogia Sarah Morato de Paula, professora do curso, explica que a leitura é feita por meio de livros de autores negros como Frantz Fanon, bell hooks, Angela Davis, Molefi K. Asante, Cheick Anta Diop, W.E.B. du Bois, Ama Mazama, Aimé Césaire, Audre Lorde e Hampâté Bâ.

“Temos uma parte do projeto que é a prática: uma hora toda semana para praticarmos juntos tudo o que aprendemos”, destaca.

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Mais informações
Inglês Afrocentrado
(81) 99839.9104 (Whatsapp)

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Imagem em destaque: bell hooks, uma das autoras com textos estudados no curso da UFPE. Foto do Instituto bell hooks


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