Feira Cultural Afro do Paraná migra para a internet

Em tempos de pandemia, o tradicional evento na Praça Zumbi dos Palmares, em Curitiba, se integra ao projeto “Feira das Feiras”


Por Wagner de Alcântara Aragão (@waasantista)* | De Curitiba (PR)

O ano de 2020 já tinha começado cheio de desafios para expositoras e expositores da Feira Cultural do Afroempreendedorismo do Paraná, evento que ocorria uma vez por mês, entre maio e novembro, em Curitiba.

A pandemia do novo coronavírus e as necessárias medidas de distanciamento social agravaram ainda mais a situação. Mas a volta por cima está sendo dada, e as artistas têm encontrado novas formas de manifestação, trabalho e renda.

Desde o último mês, a Feira Cultural Afro se integrou ao projeto “Feira das Feiras” – uma iniciativa que reúne os negócios em economia solidária e economia criativa da capital paranaense.

Trata-se, em linhas gerais, de uma feira, só que online – por meio do perfil do projeto na rede social Instagram (@feiradasfeiras_). Os participantes expõem nesse perfil seus trabalhos, e as formas pelas quais as pessoas interessadas podem obter as obras e produtos oferecidos.

Secretária-geral do Instituto Afrobrasileiro do Paraná – organização fundada em 1996, e promotora da Feira Cultural Afro -, a psicóloga e artesã Maureen Lizabeth dos Reis explica que as expositoras e os expositores estão se adaptando à comercialização online de seus produtos.

O ingresso no “Feira das Feiras” ajuda a dar maior visibilidade aos negócios. Além disso, por aplicativos como o WhatsApp, o grupo faz transmissão de mensagens com links de divulgação dos trabalhos.

A Feira Cultural do Afroempreendedorismo era realizada na Praça Zumbi dos Palmares, no Pinheirinho, região sul da cidade, e se consolidou como tradição. Reúne artesãos de roupas feitas com tecidos africanos, acessórios, lembrancinhas, presentes, brinquedos, artigos religiosos, além de comidas típicas. Oficinas e apresentações culturais como de música e dança compunham os encontros.

Para 2020, entretanto, o Instituto Afrobrasileiro do Paraná não conseguiu os recursos financeiros necessários para a realização da Feira Cultural Afro. Mesmo diante da difícil conjuntura, pôs uma vaquinha virtual no ar para arrecadar recursos para a contratação de artistas e instrutores de oficina. Quando a vaquinha tinha tudo para deslanchar, veio a pandemia de covid-19.

“O objetivo era arrecadar R$ 8 mil, e acabamos arrecadando R$ 1,7 mil – o que não cobre uma feira. Então, aproveitamos essa quantia e compramos cestas básicas para distribuir para alguns afroempreendedores que estão em situação de vulnerabilidade econômica”, explica Maureen.

A ideia é retomar a feira ano que vem. Enquanto isso, a mobilização segue, ainda que à distância. “Estamos fazendo reuniões, rodas de conversa e ‘lives’ sobre afroempreendedorismo, educação antirracista, enfrentamento da covid-19, impacto sobre a população negra, entre outros temas”, conta a psicóloga.

SOBRE O FEIRA DAS FEIRAS

O Feira das Feiras, além de contar com o Instituto Afrobrasileiro do Paraná, reúne um conjunto de outros segmentos da economia solidária e criativa. A iniciativa, coordenada pelo mandato da vereadora Maria Letícia (PV), é definida como “um grupo que reúne as feiras criativas e independentes de Curitiba, criadas e lideradas por mulheres”.

Inicialmente, era um instrumento de mobilização que garantisse medidas de apoio ao setor; com a pandemia, transformou-se em um espaço virtual de compartilhamento dos trabalhos, para geração de renda.


*Matéria feita especialmente para o Brasil de Fato Paraná. Link da matéria: https://www.brasildefatopr.com.br/2020/06/19/feira-cultural-afro-do-parana-migra-para-a-internet-em-tempos-de-pandemia

Imagem em destaque: realização da feira em 2019, na Praça Zumbi dos Palmares. Foto de @waasantista


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