Como escolher árvores para o plantio em área desmatada

Dicas do Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, do MST, é que podem ser aplicadas em qualquer pedaço de roça, sítio, chácara e fazenda.


Por Vladimir Moreira e Fernanda Alcântara, da página do MST | De São Paulo (SP)

Se abandonarmos uma área desmatada, como uma pastagem, a capoeira vai crescer e com o tempo vai virar uma mata novamente. Isso acontece porque a natureza tem seus mecanismos para se recuperar após sofrer algum dano.

Mas se o solo estiver muito degradado, com erosão ou contaminado com veneno, por exemplo, essa reação poderá demorar ou o ambiente não retornará ao estado natural.

Nós podemos ajudar a natureza nesse processo de recuperação plantando mudas.

Para isso, precisamos saber quais arvores plantar, observar a natureza e aprender com ela.

Quando um pasto é abandonado algumas árvores mais ligeiras começam a crescer.

Essas espécies, que chamamos de pioneiras, vão preparar o ambiente para o desenvolvimento das árvores mais fortes e duradouras.

Depois vão aparecendo as secundárias e por fim as espécies clímax, árvores que vão viver muitos anos e formar a fase final da floresta.

Como essas diferentes espécies vão surgindo uma após a outra, chamamos esse processo de sucessão ecológica.

Para que tudo isso dê certo é muito importante a presença de mamíferos, aves, insetos e outros grupos de seres vivos que vão construir junto com as plantas um equilíbrio ecológico, prestando diversos serviços ambientais, como a dispersão das sementes e a fertilização do solo.

Por isso, quanto maior a diversidade da fauna, assim como a da flora, mais robusto será o processo de restauração e mais rica será a futura floresta.

Ao observar como a natureza trabalha, podemos pensar nos critérios de escolha das espécies que cultivaremos em nossos viveiros nos assentamentos e acampamentos, como parte do Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, elaborado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Os três principais critérios são:

1) Escolham espécies nativas da região e que ocorram na área que querem restaurar. Se forem plantar na beira do rio, por exemplo, plantem espécies comuns desse ambiente;

2) Plantem mudas de árvores de diferentes fases da sucessão ecológica. Para cada 100 mudas, plante 10 do tipo clímax, 40 do tipo secundária e 50 do tipo pioneira. Quando forem plantar as mudas no campo, as clímax devem ficar rodeadas por pioneiras e secundárias.

Para saber qual espécie pertence a cada tipo siga essas dicas. Não são regras, mas podem ajudar:

a) As árvores pioneiras em geral tem sementes pequenas e são produzidas em grande quantidade; dão frutos antes de cinco anos após plantio; crescem muito rápido e vivem pouco; além disso, tem madeira leve. As mudas podem ser plantadas a pleno sol. São exemplos a embaúba, candeia e aroeirinha;

b) As árvores clímax, ao contrário, tem sementes e frutos grandes e pesados, produzidas em menor quantidade; demoram mais de 20 anos para produzir os primeiros frutos; crescem bem lentamente e na sombra; tem madeira pesada e dura, podendo viver na floresta por mais de 100 anos. É o caso do jucá, jatobá e sucupira;

c) As árvores secundárias tem características intermediarias entre as pioneiras e clímax, com tamanhos das sementes, crescimento e longevidade medianos. São exemplos o ipê-amarelo, ingá e angico branco.

3) Optem por espécies que produzam flores ou frutos. Elas são apreciadas pelos animais silvestres, em especial as árvores melíferas que atraem pássaros e insetos importantes como as abelhas. Essas árvores irão aumentar a diversidade da fauna.

Pronto! Aproveitem essas informações para escolherem que mudas cultivar para restauração de áreas desmatadas. Agora é juntar a família, conversar sobre o que aprenderam aqui e aplicar em seu lote. Vamos trabalhar juntos rumo ao plantio de 100 milhões de árvores!

Confira aqui para conferir também algumas técnicas para coletas de sementes.


Imagem em destaque: distribuição de mudas no lançamento do Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, na Bahia. Divulgação MST.

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