É ser humano. Por Elisane Fank

Ser contra o inominável e a favor do isolamento é isso. Ah, e não existe “Estado mínimo” e “Estado máximo”. Existe Estado forte – para o mercado ou para os direitos sociais. Reflexões em tempos de pandemia.


É ser humano
Por Elisane Fank* | De Curitiba (PR)

Há muito tempo não tenho escrito minhas reflexões: as pessoas não liam ou, por vezes, não entendiam.

Mudei o face e fiz um filtro, cujo critério é a capacidade cognitiva de entender a realidade do país e global.

Ainda com o filtro tenho lido postagens maniqueístas do tipo: bem e mal, esquerda e direita, Lula e … inominável.

Sinto-me suscitada a tecer minhas reflexões ainda que seja para minha terapia pandêmica.

Nesta perspectiva, vale destacar que a esquerda não se reduz ao PT, que o PT não se reduz ao Lulismo e o Lulismo não é a salvação nacional e nem econômica.

Definir algo ou alguém como de direita ou esquerda mais tem polarizado e reduzido o debate do que possibilitado uma compreensão política.

Primeiro é necessário destacar que, no bojo deste entendimento, está o papel do Estado.

Uma compreensão liberal dita “de direita ” acredita que exista “Estado mínimo”.

Onde está o equívoco deste entendimento?

Não existe Estado mínimo ou máximo.

E seria uma incoerência defender estado mínimo se a pessoa se diz liberal, concebendo que foi o próprio modo de produção capitalista e a burguesia em ascensão que produziram a ideia do Estado para defender a propriedade privada.

Portanto, Estado existe e do mesmo tamanho sempre.

A questão é que ele pende no fiel da balança ou para concessões, privilégios, privatizações, assegurando interesses de empresas, monopólios, empregadores ou, para outro lado, para a defesa de direitos constitucionais – saúde, educação pública e segurança social de cidadãos comuns.

Ou ele [Estado] é forte para o mercado ou para os direitos sociais.

No bojo da concepção de Estado está a discussão política.

Portanto, ser de esquerda implicaria na defesa de um Estado que assegure os direitos constitucionais dentro do modo de produção capitalista…. ou para além dele: uma outra saciedade, com outras necessidades e outros valores.

Nenhum pensador da totalidade reproduziria um maniqueísmo descolado da compreensão do papel do Estado no debate político.

Se alguém concebe que, neste momento, o Estado precisa oferecer atendimento aos casos da Covid-19, precisa interferir para assegurar a saúde de cada um e, em especial, equipar e construir hospitais para o atendimento da população, entenda: este sempre foi um debate constitucional.

Esta sempre foi a pauta dos partidos de esquerda que não se reduzem ao PT.

À luz de intelectuais como Gramsci ou Rosa de Luxemburgo, o PT não seria propriamente partido de esquerda, mas reformista ou de coalizão.

Portanto…. Ser contra o inominável e a favor do isolamento não é necessariamente ser de esquerda, é SER HUMANO!

NADA MAIS!

Só desejo e, mais que isso, percebo, que este vírus tem nos permitido sermos humanos e agirmos com humanidade preservando a existência de todas e todos!

Talvez possamos rever nossas necessidades e valores!

Seguem minhas aspirações…

*Elisane Fank é pedagoga, doutoranda em Educação pela UFPR e mestre em Política e Gestão na Educação (UFPR). Autora, entre outros trabalhos, de materiais pedagógicos e livros para curso de Pedagogia.


Imagem em destaque: Parque Barigüi, em Curitiba, fechado, para evitar aglomerações. Foto de Pedro Ribas/Prefeitura de Curitiba


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