16 de dezembro. De 1989. Há 30 anos, Brasil enfim elegia presidente

Povo preferiu Collor a Lula, em uma eleição marcada pelo poder da mídia e por fake news – como a manipulação do debate por parte da Globo.


Por Wagner de Alcântara Aragão (@waasantista) | De Curitiba (PR)

Pela primeira vez depois de quase três décadas, em 16 de dezembro de 1989 – portanto, há exatos 30 anos – o Brasil enfim elegia seu presidente da República.

Foi nessa data, num domingo, em que mais de 70 milhões de brasileiros e brasileiras foram às urnas, no segundo turno daquela eleição, disputado entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva.

O primeiro turno tinha sido em 15 de novembro, envolvendo 22 candidatos – nomes de peso, como de Leonel Brizola, Mário Covas, Ulysses Guimarães e Paulo Maluf, além de Collor e Lula já citados; e nanicos e folclóricos, como o de Enéas Carneiro.

José Sarney era o presidente da República, a Nova República – como ficou conhecido o processo de redemocratização, ainda engatinhando. A Constituição de 1988, marco dessa retomada da democracia, completava um ano de vigência.

A crise econômica era braba – hiperinflação, desemprego, dívida externa – assim como a desigualdade social, extrema.

Há diversas comparações entre aquela eleição de 1989 e a mais recente, do ano passado, as quais apontam semelhanças entre um processo e outro.

São semelhanças que foram fundamentais para o resultado dos dois pleitos.

Destacam-se:

  • O despontar de candidaturas que conseguiram colar na opinião pública a imagem de “novidade”, embora enraizadas na velha política. Foi assim tanto com Collor, em 1989, como com Jair Bolsonaro, em 2018.
  • O poder da mídia. Em 1989, com os conglomerados de mídia tradicional – impressa e televisão, principalmente -, fechando apoio a Collor. Em 2018, a vez dos conglomerados de mídia digital, cujas ferramentas impulsionaram a disseminação de fake news a favor de Jair Bolsonaro.
  • E as fake news propriamente ditas, temperadas com baixaria. Em 1989, Collor conseguiu emplacar a mentira de que Lula confiscaria a poupança do povo; a campanha collorida montou a farsa do depoimento da mãe de uma filha de Lula de ofensa e difamação ao ex-metalúrgico. Em 2018, a falácia do kit gay e da mamadeira de piroca, em benefício de Bolsonaro.

Mas a maior das fake news de 1989 foi a manipulação do último debate do segundo turno, realizado na noite de 14 de dezembro de 1989, sexta-feira, antevéspera da ida às urnas.

Conforme revelou, 22 anos depois, o então poderoso da programação da Globo, o Boni, a emissora auxiliou Collor a se apresentar no debate.

E, no dia seguinte, preparou uma edição do Jornal Nacional (noite de sábado, dia 15 de dezembro, horas antes de o povo ir votar) que mostrava um Collor vencedor, e um Lula amedrontado:

A Globo já admitiu publicamente a manipulação. Pôs na conta de um erro, não de uma atitude deliberada (o que não condiz com a verdade factual).

Empossado presidente, em março de 1990, foi Collor quem confiscou o dinheiro do povo.

Abriu as comportas para a tsunami neoliberal.

Deixou, ao menos, um legado importante: algumas unidades dos Caics (Centros Integrados de Atenção à Criança e Adolescente), inspirados nos Cieps de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

(Aliás, no geral o governo de Collor foi um desastre, mas perto do presidente que elegemos em 2018 e temos hoje, Collor é um estadista.)


Imagem em destaque: cartazes de campanha de Lula e Collor. Extraído de Observatório de Mídia


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