Facebook e Google ameaçam direitos humanos, denuncia Anistia Internacional

Relatório afirma que, ao coletar dados de bilhões de pessoas, empresas concentram poderes sem paralelo.


Do Correio do Brasil | Do Rio de Janeiro (RJ)

A Anistia Internacional apresentou em novembro último estudo em que mostra que o modelo de negócios das gigantes da internet Facebook e Google ameaçam os direitos humanos de bilhões de pessoas.

Essa ameaça se dá principalmente pela forma com que as corporações se apropriam dos dados de todos os usuários, em todo o mundo.

Um relatório da organização não-governamental, chamado “Gigantes da vigilância”, atesta que o modelo de negócios das empresas é “incompatível com o direito à privacidade” e ameaça ainda uma ampla variedade de direitos, como a liberdade de expressão, a não discriminação e o direito à igualdade.

“Apesar do valor real dos serviços que elas fornecem, as plataformas da Google e Facebook implicam em custos sistêmicos”, diz o texto.

ASSALTO

A Anistia Internacional avalia que a prática de acumular dados pessoais dos usuários para abastecer empresas de publicidade representa um assalto sem precedentes aos direitos de privacidade.

A ong afirma que as empresas forçam as pessoas a compartilhar seus dados para que possam acessar determinados serviços.

“Essa vigilância onipresente mina a própria essência do direito à privacidade e representa um dos desafios determinantes aos direitos humanos em nossa era”, diz o relatório. “O uso de sistemas de algoritmos para criar e deduzir perfis detalhados das pessoas interfere na nossa capacidade de dar forma a nossas próprias identidades, dentro de uma esfera privada.”

O relatório denuncia que as empresas estabeleceram uma “dominância quase total sobre os canais primários através dos quais as pessoas se conectam e se envolvem com o mundo online”, o que lhes dá um amplo poder sobre a vida dos usuários.

“Google e Facebook dominam nossas vidas modernas, concentrado poderes sem paralelo sobre o mundo digital ao recolher e monetizar os dados pessoais de bilhões de pessoas”, adverte o secretário-geral da Anistia Internacional, Kumi Naidoo.

RESPOSTAS

Em um resposta publicada juntamente com o relatório da Anistia Internacional, o Facebook alegou discordar das conclusões de que as práticas da empresa seriam “inconsistentes com os princípios dos direitos humanos”.

O diretor de políticas públicas da empresa, Steve Satterfield, afirmou não concordar que seu modelo de negócios seja fundamentado na vigilância online e ressaltou que os usuários buscam voluntariamente os serviços, que são gratuitos, apesar da coleta de dados para a promoção de anúncios.

O Google não elaborou uma resposta ao relatório, mas contestou suas conclusões. A Anistia Internacional disse que a empresa contribuiu com a avaliação e forneceu documentos disponíveis ao público.


Imagem em destaque: divulgação do relatório.


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