Viola Lindeira encanta o mundo, mas corre risco de acabar

Projeto de música caipira voltado a crianças e adolescentes do Paraná emociona por onde passa. Todavia, pode perder o principal apoio, da Itaipu Binacional.

Por Wagner de Alcântara Aragão (@waasantista) | De Curitiba (PR)

 

Quem já viu de pertinho, ao vivo, conta que é um espetáculo sem igual.

A jornalista e produtora cultural Melanie Fonseca Narozniak assistiu a uma apresentação tempos destes, enviou à Rede Macuco o vídeo mais abaixo, e atesta: “é de emocionar. É de chorar”.

Estamos falando das apresentações das crianças e adolescentes – com idade entre 7 e 17 anos – que fazem parte do Projeto Viola Lindeira, desenvolvido no Paraná mas que já ultrapassou as fronteiras do Brasil.

O projeto é conduzido por uma organização do terceiro setor – o Instituto de Viola Caipira – em parceria com uma empresa pública binacional, a Itaipu (Brasil-Paraguai).

Consiste na oferta de aulas de viola caipira a meninos e meninas de 29 municípios paranaenses – começou nos lindeiros ao lago da represa da Usina Hidrelétrica de Itaipu, e no ano passado foi ampliado para mais 11. São pelo menos 600 crianças e adolescentes contemplados.

Mas, como sublinha o texto de apresentação do projeto, o Viola Lindeira é muito mais que um curso de formação musical:

“Fomenta a música, a cultura caipira; a humanização nos relacionamentos, a socialização, a solidariedade, o respeito mútuo, a valorização e a igualdade de gênero, a igualdade social e a promoção e o desenvolvimento pessoal, tendo a criança, jovem ou o adolescente como protagonista de sua história.”

Em seis anos de existência do projeto, os integrantes rodaram o Paraná encantando com suas violas – já estiveram na capital, inclusive. E têm na bagagem ainda apresentação na Espanha.

A continuidade do projeto, entretanto, está seriamente ameaçada.

Quem faz o alerta é o coordenador da iniciativa, Ricardo Denchunski.

“Estamos terminando o quarto ano do projeto. Ele é renovado a cada três anos. Em 1º de novembro de 2018, na renovação, houve a ampliação para mais 11 municípios. Mas no início de agosto último, recebemos uma carta da Itaipu Binacional comunicando a intenção em encerrar o apoio, em dezembro deste ano.”

Na prática, lamenta Denchunski, os efeitos da “intenção” já foram sentidos. “Temos muita coisa bacana no escopo do projeto, porém algumas já foram cortadas. Estamos muito tristes com essa notícia”.

A próxima apresentação agendada, em Marechal Cândido Rondon, em novembro, está mantida.

A equipe do projeto e lideranças políticas e sociais dos municípios contemplados estão se mobilizando para reverter a intenção da Itaipu Binacional.

Denchunsiki faz questão de sublinhar que o projeto não tem vínculo com nenhum partido ou grupo político. “É um projeto social de ensino, de música, de cultura e desenvolvimento”.

Procurada pela Rede Macuco, a Itaipu Binacional enviou o seguinte posicionamento:

“O apoio da Itaipu ao projeto Viola Lindeira foi cancelado em função do redirecionamento de recursos da empresa para obras estruturantes, como a Ponte da Integração Brasil – Paraguai, a reforma e  ampliação do Hospital Ministro Costa Cavalcanti e, também, ações sociais voltadas para públicos de maior vulnerabilidade, como é o caso do Programa de Prevenção da Gravidez na Adolescência, apoiado pela ONU.”

Imagem em destaque: apresentação do Viola Lindeira. Foto de Carlinhos de Andrade.


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