Antibiótico sem necessidade só piora, em vez de curar

É comum pais aflitos com a criança acometida por infecção apelarem para esse tipo de medicamento, o que traz consequências graves

Por Graça Portela, da Fiocruz | Do Rio de Janeiro (RJ)

Crianças, idosos e pacientes com o sistema imunológico frágil, com doenças autoimunes, com câncer e HIV são mais vulneráveis às infecções resistentes aos antibióticos. E esta resistência se dá pelo excesso de uso do medicamento.

No caso das crianças, em especial, a situação torna-se mais delicada porque muitos pais – aflitos com uma faringite ou infecção no ouvido que não passa, por exemplo – insistem com o médico que receite antibióticos, ou pior, fazem uso da sobra de medicamentos já utilizados anteriormente e que estão em casa, à mão, para acelerar a recuperação da criança. O resultado pode ser a piora no estado da criança.

Especialistas afirmam que ao expor crianças ao uso desnecessário de antibióticos, elas podem ter diarreia, dores estomacais, náuseas e vômitos, além de aumentar as chances de ela ter resistência aos antibióticos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que os antibióticos devem ser tomados unicamente com prescrição médica e que não se deve pedir aos profissionais de saúde que receitem antibióticos, quando eles afirmam não ser necessário.

A médica pediatra Cláudia Lindgren, professora associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, faz os alertas. Confira:
“A criança teve uma febre no sábado e no domingo, a mãe precisa voltar trabalhar, a criança ir para creche, e as famílias procuram o centro de saúde pra que a gente possa resolver de imediato. Há uma certa pressão de pais para que a gente receite antibiótico”.

“Mas o que resolve uma infecção? É a própria imunidade da criança. E essa imunidade, ela precisa de um tempo para agir. O tempo que o corpo da criança se organiza para combater aquele vírus. É preciso paciência, e, como diriam nossos avós, caldo de galinha, o colinho da mãe, um chazinho…”

“Uma criança saudável pode ter de oito a dez resfriados num ano. Se cada vez ela tomar antibiótico, a criança vai viver quase todo dia tomando antibiótico. E as bactérias vão se tornando resistentes, porque elas vão se acostumando com o uso frequente do antibiótico”.

Imagem em destaque: atendimento a criança em posto de saúde em São Paulo. Foto de Rovena Rosa/ Agência Brasil


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