Aldeias e Unifesp lutam para por em prática licenciatura para indígenas

Projeto feito pelas comunidades em parceria com a instituição garante educação que aborda a história e cultura originais

Da Rede Brasil Atual | De São Paulo (SP)

Preocupados com a falta de formação específica para professores indígenas, 20 lideranças de aldeias paulistas se uniram à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para a construção de uma matriz curricular de um curso de licenciatura adequado às necessidades e à cultura dos povos originais.

A luta agora é para colocar em projeto em prática. Diante dos cortes de investimentos promovidos pelo governo federal depois do golpe de 2015-2016, lideranças temem que a parceria não tenha continuidade.

Desde 2008, por meio do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas (Prolind), o governo federal vinha fomentando a formação de professores indígenas para a docência em suas comunidades.

A educadora Cristine Takuá, da aldeia de Ribeirão Silveira (localizada nos municípios de Bertioga, Salesópolis e São Sebastião), afirma que a demanda pela licenciatura vem da luta dos professores indígenas. “Através desse fórum de articulação, buscamos parcerias, encaminhamos solicitações de diálogo com diversas universidades e, através da Unifesp, a gente conseguiu construir essa proposta para uma licença”, explica ao repórter Leandro Chaves, da TVT.

Takuá critica a falta de divulgação do Prolind, pelo Ministério da Educação. Ela constata que as universidades “desconhecem o programa” e que, não fosse pela mobilização de algumas comunidades, dificilmente a iniciativa sai do papel.

O curso na Unifesp já tem o aval da instituição para ser implementado. Todavia, não há ainda definição para o início das aulas e o tempo de graduação. “A universidade depende de investimento público, em tempos de cortes difíceis para a sua sobrevivência, mas o que depender Unifesp está posto”, diz a coordenadora de Direitos Humanos da Unifesp, Débora Galvani.

EDUCAÇÃO NAS ALDEIAS

Atualmente, no estado de São Paulo há cerca de 1.400 alunos matriculados em escolas indígenas, desde a educação infantil até o ensino médio. Das 252 vagas de professores existentes nas aldeias, 139 são preenchidas por professores que não possuem formação superior.

Jurandir é professor há 11 anos e, mesmo sem uma formação superior, ele desenvolve um importante papel na educação de crianças indígenas de etnia guarani, na escola da Aldeia Jaraguá, localizada na cidade de São Paulo. “Além do idioma eu tento fazer que é que a escola seja menos maçante, juntando as lições de lousa e a cultura”, conta.

Enquanto aguardam o início das aulas, os futuros educadores já sabem o que não pode faltar para o curso. “Tem que saber muito da sua cultura, para que o professor consiga colocar uma disciplina diferenciada para cada aldeia”, diz Katarina Delfina, da aldeia Piaçaguera.

Imagem em destaque: o professor Jurandir. Reprodução TVT


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