Caravana vai denunciar volta da miséria e mobilizar por mudanças

“Semiárido Contra a Fome” começa na sexta, dia 27, em Caetés, PE, e vai percorrer 4,3 mil km até a chegada em Brasília, em 5 de agosto

Do Brasil de Fato | De São Paulo

Movimentos sociais de diversos segmentos iniciam na sexta-feira, dia 27 de julho, a Caravana Semiárido Contra a Fome, que vai percorrer boa parte do Brasil, em 14 dias, para denunciar a volta da fome e reivindicar políticas públicas sociais, que estão sendo destruídas desde o golpe de 2015-2016.

A caravana começa em Caetés (PE), e terá paradas estratégicas em Feira de Santana (BA), Guararema (SP), Curitiba (PR) até o destino final Brasília (DF), no dia 05 de agosto, onde a caravana pretende denunciar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a situação de fome que atinge o país.

Em cada cidade haverá ações organizadas pelos movimentos e entidades locais como debates em universidades, feiras, atos de rua, reunindo milhares de pessoas.

FINANCIAMENTO COLETIVO

Para financiar as despesas da Caravana Semiárido Contra a Fome, foi criada uma campanha de arrecadação de fundos. As doações, que dão direitos a retribuições e recompensas, são a partir de R$ 25.

A campanha foi dividida em quatro etapas, de acordo com as fases das caravana.

Lembrança da caravana para quem contribuir

A meta de arrecadação da campanha de financiamento da caravana é R$ 150 mil. O dinheiro será usado para despesas com logística, hospedagem e alimentação para todos os participantes. Para se ter uma ideia, esse valor é equivalente aos custos de 90 pessoas, entre agricultores e agricultoras, lideranças, técnicos e jornalistas.

CONSEQUÊNCIAS DO GOLPE

O golpe político iniciado depois das eleições de 2014 e que culminou com a deposição da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, instaurou um retrocesso no Brasil causando impactos muito maiores que a escassez ou a falta de água.

“No nosso processo de construção de uma proposta de política de convivência com o semiarido, temos sempre colocado no centro do debate de que a fome não é um fenômeno natural, diferente da seca, a fome é resultado da ausência ou da nao prioridade do povo na promoção da políticas públicas”, afirma a liderança Cristina Nascimento, da coordenação da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) pelo Estado do Ceará.

Segundo Cristina, no período de 2003 a 2016, vários programas como Fome Zero, Bolsa Família, programas de cisternas, Brasil Sem Miséria, aposentadoria rural, entre outros, trouxeram o povo para dentro do orçamento público numa outra perspectiva. “Tudo isso é outras tantas ações possibilitaram tirar o Brasil do mapa da fome. Demos um passo que parece curto mas foi um passo histórico”, compara Cristina.

“O que vivemos hoje é resultado dos retrocessos, dos cortes no orçamentos para programas como os de convivência com o semiárido, das famílias sendo cortadas do Bolsa família, dos programas pra agricultura familiar sem orçamento nenhum e tantos outros retrocessos que aconteceram nos últimos dois anos. O golpe foi mais impactante para famílias pobres, negras, das comunidade urbanas e rurais . Por isso que gritar contra a fome é necessariamente gritar pelo retorno da democracia”, sublinha a liderança.

Imagem em destaque: arte de divulgação da Caravana Semiárido Contra a Fome


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