Às vésperas da Copa, a vergonhosa diferença de cifras entre o futebol masculino e o feminino

A Caixa, até então única apoiadora do Campeonato Brasileiro entre as mulheres, acaba de retirar patrocínio. Grandes veículos de comunicação também costumam dar rasos espaços para a modalidade

Por Beatriz Drague Ramos, da Rede Brasil Atual | De São Paulo

No país do futebol [e que entra em contagem regressiva para a Copa do Mundo], a modalidade feminina vive dias sombrios com baixos salários, saída da Caixa Econômica Federal como patrocinadora do campeonato brasileiro e praticamente nenhuma estrutura das equipes de base. Além disso, o preconceito contra as jogadoras também entra em campo no dia a dia do esporte.

A discrepância entre os investimentos nos times masculinos e femininos é grande, assim como a visibilidade de cada um. Segundo levantamento publicado pela Unisinos, apenas 2,7% da cobertura midiática é destinada ao futebol feminino. No ano passado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) destinou à equipe campeã do Brasileirão da categoria, o Santos, uma premiação de R$ 120 mil. O valor é 141 vezes menor do que o dado aos homens do Corinthians, que campeões brasileiros de 2017, 17 milhões de reais.

Além da discrepância nas premiações, o futebol feminino brasileiro sofreu mais uma perda nos últimos dias. Com o fim do patrocínio de R$ 10 milhões da Caixa Econômica Federal, única empresa apoiadora da competição, os times femininos perderam também transmissão televisiva, feita anteriormente pela TV Brasil, Sport TV e Band Sports, viabilizados pela empresa de marketing esportivo Sport Promotion.

Em nota, a Caixa Econômica Federal, afirmou que o futebol feminino não foi incluído inicialmente na estratégia do futebol em 2018 e que o proponente – a CBF – reapresentou uma nova proposta recentemente, ainda em análise. [A Caixa iniciou o patrocínio do Brasileirão feminino em 2013, no governo de Dilma Rousseff]

O Brasil também vai na contramão de países como a Noruega e Nova Zelândia. Os neozelandeses selaram um acordo de garantia de igualdade em termos salariais, prêmios e direitos de imagem para suas seleções masculina e feminina. Além de direitos iguais no deslocamento para jogos, com as jogadoras viajando em classes superiores nos voos de duração superior a seis horas, mesmo tratamento já dado aos homens.

MACHISMO

Para o historiador Maurício Rodrigues, mestrando do Programa Mudança Social e Participação Política, da USP, e autor da dissertação “Pelo direito de torcer: Movimentos e Coletivos de Torcedores contrários ao Machismo e à Homofobia no Futebol”, a ausência de incentivo se relaciona com o machismo enraizado no esporte de uma forma geral e também com a atuação da CBF. “Ainda há muito pouco apoio no plano do Estado, e é importante considerar o papel da CBF e o pouco investimento feito no futebol feminino desde a década de 1980, quando começa a ter uma seleção brasileira feminina, até agora.”

O historiador pontua a necessidade de se elaborar “políticas públicas com reflexos nas escolas e também no comportamento das famílias. A partir da inserção das meninas para gostarem de futebol, o que também é um universo demarcado por performances de gênero.”

Rodrigues também lembra o caso de Emily Lima, ex-técnica da seleção feminina brasileira de futebol [atualmente no Santos], como exemplo de resistência e da importância das mulheres na gestão da modalidade.

“Ela começou a fazer um trabalho como técnica da seleção, alguns meses depois fez uma campanha equiparável a outros técnicos no início de preparação e mesmo assim foi demitida, sem maiores explicações, para se recolocar o técnico anterior. Percebe-se que ainda há relutância na participação de mulheres em cargos de comando no futebol”, sustenta.

Imagem em destaque: Brena, das Sereias da Vila (Santos F.C.), atuais campeãs brasileiras. Foto de Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos F.C.


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