Danças circulares podem auxiliar cuidadores de pacientes com Alzheimer

Benefício é especialmente para pessoas com mais de 50 anos que são responsáveis por amparar portadores da doença, indica pesquisa da UFSCar

Por Gisele Bicaleto | Da Agência de Notícias da UFSCar

As danças circulares representam um movimento mundial que une danças tradicionais de diversos povos e também danças contemporâneas. A prática é sempre realizada em círculos, de mãos dadas, mas pode ter outros desenhos, danças em duplas, troca de pares, com o intuito de estimular a participação e integração de pessoas de diferentes faixas etárias e condições físicas, sem enfoque na apresentação ou na técnica.

Uma pesquisa em desenvolvimento pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) está apontando que as danças circulares podem melhorar a qualidade de vida das pessoas que cuidam de paciente com Mal de Alzheimer. A instituição está, inclusive, recebendo inscriçoes de interessados em participar do Grupo de Danças Circulares para Cuidadores de Idosos com Alzheimer, promovido no escopo do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia (PPGFt) da UFSCar. A iniciativa é gratuita e integra as atividades de pesquisa da doutoranda Julimara Gomes dos Santos, sob orientação de Anielle Takahashi, docente do Departamento de Fisioterapia (DFisio) da UFSCar.

A pesquisa da UFSCar tem por objetivo avaliar o efeito de um protocolo de 12 semanas de danças circulares em variáveis cognitivas, psicológicas, físicas e relacionadas à síndrome da fragilidade em idosos cuidadores de pacientes com doença de Alzheimer. Por meio do grupo, a ideia é promover a dança circular como forma de contribuir para amenizar os desgastes físico e mental que a tarefa de cuidar de um familiar com Alzheimer pode causar.

IDOSOS CUIDANDO DE IDOSOS

De acordo com pesquisadora, a literatura científica aponta que, em geral, a saúde física e psicológica de cuidadores de pessoas com Alzheimer é pior quando comparada a de sujeitos não cuidadores ou de cuidadores de pessoas com outras patologias. Além disso, Julimara Santos afirma que o quadro se agrava quando são idosos cuidando de outros idosos, já que os próprios cuidadores estarão vivenciando alterações motoras e cognitivas decorrentes do processo de envelhecimento.

Diante desse contexto, a doutoranda diz que a dança circular mostra-se como uma opção de atividade física prazerosa, não farmacológica, que não exige técnica, e sua prática pode contribuir para a promoção da saúde física e psicológica dos cuidadores e, com isso, retardar o possível desenvolvimento da síndrome da fragilidade entre eles. “Inclusive, o simbolismo de dançar em círculo e de mãos dadas com outros cuidadores que estão passando pelas mesmas dificuldades propicia sensação de pertencimento a um grupo, de igualdade, confiança e sentimentos de união consigo mesmo e com os outros”, complementa a Julimara.

NO SUS

Em março de 2017, a dança circular foi reconhecida pelo Ministério da Saúde – por meio da Portaria 489 – como terapia e incluída oficialmente na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPI) do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. A doutornada acredita que os resultados da sua pesquisa poderão servir de base para fundamentar e promover a institucionalização das danças circulares no SUS, a partir da PNPI. Além disso, por terem sido recentemente incluídas nessa Política Nacional, a pesquisadora acredita que deve haver um aumento da demanda dessa prática por parte da população e a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para aplicá-la.

SOBRE O GRUPO

O Grupo de Danças Circulares realizará atividades por 12 semanas, sempre às quartas e sextas-feiras, das 16 às 17 horas, na Unidade Saúde-Escola (USE) da UFSCar, que fica na área Norte do Campus São Carlos.

Para participar, os voluntários podem ser homens ou mulheres, a partir de 50 anos de idade; e ser o cuidador principal de um familiar com diagnóstico médico da doença de Alzheimer há pelo menos seis meses.

Além de praticar a dança circular, o cuidador passará por uma avaliação física, cognitiva e psicossocial no início e no final da pesquisa. Caso o paciente com Alzheimer esteja no estágio leve ou moderado da doença e ainda conseguir caminhar pequenas distâncias, poderá participar, mediante disponibilidade de vagas, de sessões gratuitas de fisioterapia nos mesmos dias e horários em que serão ofertadas as atividades para os seus cuidadores na USE.

Os interessados podem se inscrever diretamente com a pesquisadora, até o dia 25 de maio, pelo e-mail julimaraefi@yahoo.com.br ou pelos telefones (16) 3351-8704 e (33) 99113-2227 (telefone ou WhatsApp). Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE 48973315.7.0000.5157 e 62112716.8.0000.5504).

Imagem em destaque: atividade do Grupo de Danças Circulares da UFSCar. Divulgação/UFSCar


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