A Paraíso do Tuiuti e o Carnaval do povo

Mangueira também se destaca na primeira noite dos desfiles das escolas de samba por de interesses populares em sua apresentação

Por Wagner de Alcântara Aragão, com fotos de Lindrielli Rocha Lemos

Carnaval com “c” maiúsculo. Foi o que a Paraíso do Tuiuti apresentou na primeira noite dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, neste ano.

A escola levou para a Passarela do Samba Darcy Ribeiro, na Marquês de Sapucaí, aquilo que é a síntese dessa festa popular: a alegria, a irreverência, a originalidade artística, aliadas à mobilização popular.

Com um dos mais bonitos sambas enredos dos últimos tempos, a Paraíso do Tuiuti lembrou que em 2018 completam-se 130 anos da promulgação da Lei Áurea. Mas, ao mesmo tempo, a escola questionou no samba e no enredo: a escravidão, de fato, acabou?

Denunciando a crueldade do regime escravocrata do passado e expondo a dor sofrida pelos negros, a agremiação do bairro de São Cristóvão relacionou as mazelas de outrora com a exploração dos trabalhadores brasileiros nos dias atuais. Em fantasias e alegorias, criticou as chamadas reformas trabalhista e da previdência.

E, no final, uma ala e um carro alegórico mostraram que a retirada dos direitos laborais é fruto do golpe de 2015, financiado pelo grande capital. O presidente ilegítimo Michel Temer veio representado na figura de um homem vampiro; os patos amarelos e os paneleiros que foram às ruas engrossar (ainda que muitos sem ter noção do papel desempenhado) o movimento golpista também foram retratados.

MANGUEIRA

Outra escola que mesclou festa e manifestação foi a Mangueira. A agremiação explicou o que é o Carnaval, trazendo referências a blocos e outros agrupamentos cariocas, de forte tradição. Não poupou críticas ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella, pelo corte de verbas para o desfile das escolas de samba.

TÍTULO

No que se refere à disputa pelo título – o que envolve, além da originidade do enredo e do samba, perfeição estética e técnica – a Mangueira e a Mocidade Independente de Padre Miguel (falou sobre a Índia) se destacaram das concorrentes nas primeiras noites de desfile. A Vila Isabel, estreando o carnavalesco Paulo Barros, apresentou a pirotecnia típica dos desfiles desenhados pelo profissional. Pode ficar entre as seis que voltam no sábado das campeãs, todavia dificilmente ficará com o primeiro posto.

A São Clemente, com enredo sobre a Escola Nacional de Belas Artes, mais uma vez fez uma apresentação harmônica e caprichada. A Império Serrano (China foi enredo) fez bonito, em estágio de luxo e riqueza material aquém das co-irmãs.

TRISTEZA

A tristeza da noite ficou com a Grande Rio. Fazia um desfile imponente, quando um dos seus carros alegóricos quebrou antes de entrar na avenida. A evolução foi deveras prejudicada. O enredo biográfico – Chacrinha – estava sendo luxuosamente desenvolvido. Com o problema, poderá sofrer na apuração para se manter no grupo especial.

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Clique sobre a imagem abaixo para acessar álbum dos fotos da primeira noite dos desfiles do Rio de Janeiro

Carnaval 2018 - Rio de Janeiro


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