Mostra Hugo Carvana, na TV Brasil

Em todas as quartas, neste mês, emissora exibe um filme do ator e diretor que completaria 80 anos em 2017. Antes da exibição, depoimentos de amigos relembram o legado do artista

Da TV Brasil

Para homenagear o ator e diretor Hugo Carvana, que completaria 80 anos em 2017, a TV Brasil apresenta uma faixa de cinema especial com cinco filmes do cineasta, toda quarta-feira, sempre às 23h.

A Mostra Hugo Carvana vai ao ar na sessão Cine Nacional e faz parte da programação de final de ano da emissora pública que reuniu longas em que o artista dirige e atua, sendo que ele mesmo protagoniza algumas das tramas repletas de irreverência.

Para esse tributo, as cinco produções selecionadas são as premiadas comédias:

  • “Vai Trabalhar, Vagabundo!” (1973), exibida dia 29/11;
  • “Vai Trabalhar, Vagabundo II – A Volta” (1991), exibida no dia 6/12;
  • “Se Segura, Malandro!” (1977), que vai ao ar dia 13/12;
  • “Apolônio Brasil – Campeão da Alegria” (2002), no dia 20/12;
  • “Bar Esperança” (1983), no dia 27/12.

Antes de cada filme, atores e amigos de Carvana, que morreu há três anos, falam sobre a obra, recordam a experiência do convívio com o artista e contam curiosidades sobre os bastidores das filmagens ao lembrar dos trabalhos que fizeram com diretor.

A TV Brasil gravou depoimentos com personalidades da dramaturgia nacional como a atriz Zezé Motta, o ator Paulo Cesar Pereio, a atriz e roteirista Denise Bandeira, o ator Antônio Pedro, a biógrafa Regina Zappa e o produtor Júlio Carvana, filho do homenageado.

CARREIRA E RECONHECIMENTO

Apaixonado pela sétima arte, Hugo Carvana participou de dezenas de filmes em sua carreira que começou nos anos 1950 como figurante nas chanchadas da Atlântida. Antes, já tinha feito teatro. Reconhecido pelos inúmeros papéis que interpretou em novelas e minisséries de televisão, o artista teve uma trajetória de sucesso no palcos, no cinema e na telinha.

A figura de malandro carioca era uma constante em várias produções da sétima arte. Hugo Carnava estreou como cineasta na direção de “Vai Trabalhar, Vagabundo!”, longa que ele também vive o personagem principal. Além de atuar e dirigir, ele também foi roteirista e produtor.

Diretor de nove filmes, premiado nacional e internacionalmente, o cineasta foi reconhecido pela crítica especializada em sua trajetória marcada pelas produções de humor.

Ele conquistou o Kikito de Ouro de Melhor Filme, no Festival de Gramado, por “Vai Trabalhar, Vagabundo!” (1973). Dez anos depois, recebeu o Kikito de Ouro de Melhor Roteiro por “Bar Esperança” (1983) no mesmo evento. A sequência “Vai Trabalhar, Vagabundo II – A Volta” rendeu a Hugo Carvana o Troféu Candango de Melhor Ator no Festival de Brasília e o Kikito de Ouro na mesma categoria no Festival de Gramado.

HISTÓRIAS CONTADAS

Para Julio Carvana, filho do ator e diretor, amizade e humor caracterizam a obra do pai. “Os atores do Carvana são instrumentos para ele poder ter criado essa cinematografia da amizade e da alegria. Ele precisava ter amigos do lado”, reflete o produtor.

“O set de filmagem do Hugo Carvana era afetuoso. Com filmes de comédia e amizade, o que estava atrás da câmera, aparecia na frente dela. Era um set lúdico, com muita piada e brincadeira. Ele cantava um samba-canção, deixava toda a equipe leve, solta, para que o trabalho fluisse na tela dessa forma”.

Zezé Motta lembra que seu primeiro papel de destaque em um dos filmes do ator e diretor. “Já era fã do Hugo Carvana desde sempre. Nosso primeiro contato foi para fazer um teste para o filme ‘Vai Trabalhar, Vagabundo!’. Foi uma emoção e expectativa incrível”, conta.

A atriz fala sobre os papeis que ela e Carvana interpretaram no filme. “Ele fazia o vagabundo, mulherengo, e eu era uma das namoradas. A gente se divertia muito fazendo o filme”, revela. “Eu cantava, representava e dançava. Era rival da patroa, que era meu ídolo, Odete Lara”, completa.

Julio Carvana conta a origem do protagonista dessa comédia. “O roteiro do filme ‘Vai Trabalhar, Vagabundo!’ nasce de um personagem muito solar que ele tinha escrito para um filme anterior, ‘O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil’ (1970). Era uma espécie de gênese do malandro carioca. Ele se apaixonou por esse personagem e escreveu o Dino”.

A atriz Zezé Motta também destaca a sensação de trabalhar com o amigo. “Ele tinha uma coisa que eu adorava. Era o campeão de improviso. Tinha muita cancha. Era, também, uma escola. Representar com ele a gente aprendia muito. Acho que o Hugo cumpriu com muita dignidade a missão dele no cinema. A gente saia dos filmes dele em estado de graça, com a alma lavada”, finaliza.

A jornalista e escritora Regina Zappa escreveu uma biografia sobre o cineasta para a coleção “Perfis do Rio” e conta, com bom-humor, a inspiração de Carvana para o título do filme que a TV Brasil exibe na quarta-feira, 29 de novembro.

“Um dia ele chegou para a mãe e disse. ‘Eu vou ser artista. Quero ser ator. Quero trabalhar na televisão e fazer teatro’. A mãe dele ficou muito indignada e disse. ‘Não criei filho pra isso. Você vai trabalhar, vagabundo'”, explica.


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