Contra o bullying, ação imediata

Especialista no tema defende intervenção rápida da família e escola quando a prática for identificada. Audiência discutiu aplicação de lei instituída em 2015

Da Rede Brasil Atual

Para especialistas em educação ouvidos em audiência pública, no Senado, nesta quarta-feira (dia 6), escolas e educadores devem assumir a responsabilidade pela socialização dos alunos e zelar pelo desenvolvimento de valores humanos nas escolas, para construir ambientes educativos “emocionalmente seguros” livres da prática de bullying. “A chave é levar escolas e professores a assumir responsabilidade pela socialização dos alunos e prevenir o bullying mediante a imediata intervenção, pela conversa, debate e negociação”, afirmou a professora emérita da Universidade de Brasília (UNB) Angela Uchoa Branco, coautora do livro “Bullying – Escola e família enfrentando a questão”.

Segundo ela, casos de agressão e intimidação ocorridos entre alunos exigem atenção e monitoramento contínuo por parte das instituições de ensino e refletem a violência presente no conjunto da sociedade, estimulada por valores como individualismo, competição e intolerância. “Será que estamos reforçando a socialização no sentido da violência, da agressividade, da competição e do individualismo, ou estamos criando condições novas que gerem outro tipo de relação entre as pessoas? Nossa cultura é extremamente violenta. Todos nós experimentamos esse tipo de violência”, questionou.

Em contraposição, pais e professores devem estimular relações baseadas na cooperação e na empatia, dando exemplo de que a colaboração é o melhor caminho para a resolução de conflitos. Casos de hostilidade, humilhação e perseguições sistemáticas de alunos contra colegas provocam, segundo ela, uma “lista infindável” de consequências, como isolamento social, baixa autoestima, dificuldade de aprendizagem, evasão, depressão, automutilação e até mesmo ideias indutoras de suicídio ou homicídio.

APLICAÇÃO DA LEI

A procuradora do Município de Planaltina (DF) Isabella Banna, autora do livro “Bullying, Homofobia e Responsabilidade Civil das Escolas”, destacou que o Brasil conta, desde 2015, com a Lei 13.185, que institui, ainda no Governo Dilma Rousseff, o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). No entanto, até o momento não foi aplicado devidamente. Segundo a procuradora, a maioria das escolas ainda desconhece a legislação. “São poucas as escolas que aderem ou possuem programa de combate à intimidação sistemática. Quando possuem algum tipo de medida, são pontuais, e em razão do próprio dano. O dano já está instaurado. Não há nada que se faça anteriormente à prática.”

Também participaram do debate a presidenta da Associação pela Saúde Emocional das Crianças, Tania Paris, além de um diretor e outro professor de escolas do entorno de Brasília, que ressaltaram a importância da prevenção, já que o bullying é um tipo de “violência silenciosa” só percebido quando as consequências “nefastas” já são sentidas


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