Os frutos da paz. Por Sérgio Sérvulo da Cunha

Uma discussão filosófica sobre preconceito, racismo e discriminação. E sobre a natureza humana

 

O FRUTOS DA PAZ

Por Sérgio Sérvulo da Cunha*, de Santos | Ilustração: Latuff (2006)

Entre as coisas espantosas, admiráveis, ou terríveis, que acontecem todos os dias neste estranho mundo, destacou-se, neste fim de semana, o protesto dos jogadores de futebol norte-americano contra o racismo do presidente Trump.

Por que o racismo é inadmissível?

Durante a conquista do Novo Mundo, os poderosos, a fim de justificar a escravização dos indígenas, diziam que eles não pertenciam ao gênero humano.

Saber se os índios, os negros, ou, por exemplo, os cruéis, pertencem ao gênero humano, é uma discussão que não nos leva a lugar nenhum. Quem saberá definir a natureza humana?

Além disso, mesmo concordando quanto a essa questão metafísica, as pessoas podem julgar-se de uma raça superior.

Digo – ainda que isso não seja bom – que qualquer pessoa tem o direito de julgar-se superior a outro. Digo mais: qualquer um tem o direito de ser preconceituoso.

O preconceito é algo pertencente aos nossos sentimentos, que muitas vezes, como o ciúme, a raiva, o orgulho – não conseguimos controlar.

Façamos portanto a distinção: posso até entender que sou superior a outrem; mas não posso tratá-lo como inferior. O preconceito é reprovável, mas não constitui ilícito.

A discriminação, esta sim, é imoral. E é um crime.

Pior do que um crime: ela é estúpida.

Ou temos força bastante para manter escravizados aqueles que, por preconceito, discriminamos, ou devemos aceitá-los como companheiros de viagem.

O melhor, portanto – concordando ou discordando, aceitando ou rejeitando, gostando ou abominando – é imitar nossos antepassados, e fazer aquilo que está à base da civilização, da sociabilidade e de todas as instituições: um pacto.

Pacto é o instrumento com que se celebra a paz.

E a paz é indubitavelmente melhor do que a guerra. É ela, não a guerra, que nos conduz à realização de todos os nossos fins.

A convivência, com o tempo, mostrará que os frutos da paz, na família, no trabalho, na ciência, na arte, na política, são infinitamente superiores aos frutos podres da guerra. E nos ajudará, afinal, a descobrir o que é um ser humano.

  • *Sérgio Sérvulo da Cunha, professor, filósofo, jurista e escritor. Entre outras atividades já exercidas, foi vice-prefeito de Santos (1989-1992). Mantém o site www.servulo.com.br.

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