Projeto que leva teatro e debate sobre a literatura tem últimas apresentações da temporada

“Murro em Ponta de Faca” percorre o Paraná há três semanas; agenda segue até domingo na região metropolitana de Curitiba e litoral

Da Assessoria de Imprensa do projeto

Pinhais, Araucária, Campo Largo e Paranaguá recebem as últimas apresentações e debates da atual temporada de circulação do projeto Murro em Ponta de Faca, que desde agosto promoveu apresentações teatrais, aulas abertas de iluminação e debates em 11 cidades paranaenses. Estimular uma reflexão sobre a ditadura militar brasileira é a proposta do projeto criado pela companhia curitibana Espaço Cênico.

Com direção de Paulo José, a peça, que trata da ditadura militar brasileira, oferece também a oportunidade de ouvir quem viveu o mais longo período autoritário brasileiro. É que logo após as apresentações, há a realização do debate Exílios e Pertencimentos, com participação de convidados que vivenciaram o período ditatorial brasileiro. Em Pinhais, Araucária e Campo Largo as convidadas serão Claudia Hoffmann e Sônia Lafoz.


No elenco estão também alguns dos principais nomes do teatro paranaense: Abílio Ramos, Gabriel Gorosito, Edson Bueno, Patrícia Saravy, Raquel Rizzo, além de Nena Inoue, criadora e diretora da companhia Espaço Cênico.

Emblemático texto da dramaturgia brasileira, escrito por Augusto Boal em 1974, foi a primeira peça do autor montada no Brasil durante seu exílio no exterior, em 1978, pelas mãos do mesmo Paulo José, que em 2011 aceitou o convite de Nena Inoue e segue assinando a direção do espetáculo, desde então.

SOBRE A PEÇA

Murro em Ponta de Faca conta sobre um grupo de exilados brasileiros em suas trajetórias pelo Chile, Argentina e França. Um relato do Brasil e da América Latina à época da ditadura de 1964 a 1985, em precisa radiografia histórica e temática universal, sob o olhar de Augusto Boal e Paulo José, dois grandes nomes do teatro no Brasil e no exterior.

A peça traz o exílio como temática, prática sempre presente na história da humanidade, que se por um lado é fruto da negação, da dominação, da intolerância e da exclusão, por outro, é a negação da negação, a resistência, a luta pela afirmação. Um trabalho que insiste que lembrar é resistir. “Hoje existe a prática da filosofia do perdão, do viver e deixar viver… eu afirmo que importante também é não esquecer, pois a perda de memória pode nos levar a repetir o erro”, diz o diretor Paulo José, ressaltando a importância da montagem.

“Montei esta peça quando, após uma leitura dramática no Espaço Cênico, constatei que os jovens na plateia não sabiam sobre este período do Brasil. Afinal, é mais uma das coisas graves que passaram impunes no Brasil, que por isso continua réu na Corte Interamericana dos Direitos Humanos, por conta dos crimes cometidos na Ditadura e porque não levou a julgamento nenhum dos torturadores…acho que nunca levará, e assim a justiça não acontecerá. Então me sinto no dever de mostrar o que aconteceu”, explica Nena Inoue.

Considerando a excelência dramatúrgica e atualidade da obra, a montagem busca estender a obra de Augusto Boal e apresenta não só a ditadura brasileira, mas também a latino-americana. “A intenção é valorizar a memória nacional e ressaltar um período recente da História do Brasil ignorado por muitos, além de insistir no reconhecimento de brasileiros que resistem”, observa a atriz.

CONVIDADAS DOS DEBATES

Claudia Cristina Hoffmann é professora, pesquisadora e historiadora do Centro de Apoio de Direitos Humanos do Ministério Público do Estado do Paraná, atuando no eixo Verdade, Memória e Justiça. É também colaboradora da Comissão Estadual da Verdade do Paraná “Teresa Urban” e da Comissão Camponesa da Verdade. Graduada, Especialista e Mestre pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

Sonia Lafoz nasceu em Argel, norte da África, mas diz que seu coração é brasileiro. “Cheguei em São Paulo aos 7 anos com a minha família de pai espanhol e mãe francesa. A família deixou a Argélia em 1954, de certa forma, fugindo dos prenúncios da guerra de libertação argelina. Meu pai, era do Partido Comunista Espanhol no exílio e a polícia francesa da época ia buscá-lo a cada agitação política e ele ficava alguns dias preso. Posso até dizer que já nasci quase exilada”, conta ela, que tem 71 anos. “Até meus 20 anos permaneci em São Paulo, iniciando a faculdade de psicologia na USP na famosa Maria Antonia, palco de muita agitação política nos anos 60. Na USP a militância política era intensa e participei de todo o processo de lutas universitárias contra a ditadura que se instalara em 64 e que em 68 teve seu momento mais drástico. Com o endurecimento dos militares no poder a repressão aos estudantes se intensificou fortemente. A clandestinidade veio como consequência”, completa.

OUTRAS TEMPORADAS

Selecionado único pelo Paraná no Prêmio Myriam Muniz 2010 de montagem, o espetáculo estreou não por acaso em dia 31 de março de 2011, no Festival de Curitiba, no Espaço Cênico, e realizou temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo, apresentando-se em diversas cidades do país com apoio de editais de circulação da Caixa Cultural, Funarte e Petrobras Cultural.

 

Selecionado no primeiro edital da lei Estadual de Incentivo a Cultura (Profice), a atual turnê “Murro em Ponta de Faca” conta com o patrocínio da Copel. Confira a ficha técnica:

  • Texto: Augusto Boal
    Direção Geral: Paulo José
    Elenco: Abílio Ramos, Edson Bueno, Gabriel Gorosito, Patrícia Saravy, Nena Inoue, Raquel Rizzo.
    Iluminação: Beto Bruel
    Cenário: Ruy Almeida
    Figurino: Rô Nascimento
    Direção Sonora: Daniel Belquer
    Preparação Vocal: Célio Rentroya e Babaya
    Técnico Operador: Vinicius Sant
    Assistente de Figurino: Sabrina MagalhãesIlustração Original: Elifas Andreato
    Designer Gráfico: Martin Castro
    Fotografia: Lidia Ueta
    Assessoria de Imprensa: Adriane Perin | De Inverno Comunicação
    Mídias Sociais: Trópico

    Produção Local: Rachel Coelho (Maringá e Arapongas), Priscila Cruz (Campo Largo), Lair Junior (Cascavel e Umuarama), Mariana Zanette (Paranaguá), Emerson Rechenberg (Ponta Grossa), Nena Inoue e Caroll Teixeira (Araucária, Piraquara, Pinhais), Rita Felchak (Guarapuava)
    Assistente de Produção: Priscila de Morais
    Produção Executiva: Carolline Teixeira
    Idealização e Diretora de Produção: Nena Inoue
    Realização e Criação: Espaço Cênico e Teatroca – Associação Livre de Teatro
    Incentivo: Copel.


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