“Eu sei, seu doutor!”. Por G.O.Aragão

“Já ouviu ou leu sobre esta tal delação premiada?”, pergunta-se ao menino ‘Gordinho’, que diz saber do que se trata, sim senhor – e como sabe! Olha só:

EU SEI, SEU DOUTOR!

Por G.O. Aragão*

Numa das minhas caminhadas de rua deparei-me com um ‘sebo’ a céu aberto, num logradouro ainda inominado (talvez por ter sido ocupado por estes movimentos de “vadios” que vivem a reivindicar do poder público um lugar decente para morar, e fui atraído por um livro com a capa bastante desfigurada, mas deu para perceber que tinha informações interessantes e curiosas.

O autor era um sertanista aficionado em romance (tenho cá minhas cismas com romance), mas na evolução da leitura resolvi olhar todos os títulos dos capítulos que faltavam, e no XXI estava lá: EU SEI, SEU DOUTOR!. A curiosidade foi tanta que deixei para trás vários capítulos para mergulhar nesse.

Seria enfadonho se trasladasse o texto na íntegra; vou compartilhar apenas aquilo que achei mais impressionante, porque me pareceu um personagem vivo, contemporâneo. Uma ilustração bem cuidada do personagem revelava uma figura atarracada, talvez por isso tivesse o epíteto nominal de GORDINHO, uma figurinha muito tímida, mas bem receptiva; daí imagino ter sido ele, dentre tantos que arrodiavam o visitante escritor, o escolhido para dar sua impressão sobre os fatos que fervilhavam em todos os meios circulantes de comunicação.

Depois de muitas perguntas acerca dos viventes que habitavam aquelas terras inóspitas de um antigo morgado Sergipano, resolveu testar o menino ‘Lalau’ – sim, este foi seu primeiro apelido familiar na primeira infância, agora ele repele tal cognome, por saber que foi um título sujo dado a um juiz ladrão lá do Sudeste, e como nordestino pobre não suportaria mais um estigma desta natureza a embaraçar o seu futuro. A pergunta me pareceu um cruzar de fatos sem consequente cronologia:

– Menino ‘Gordinho’, tô vendo que você tem um televisor e por certo está ‘antenado’ com as notícias atuais e certamente já ouviu ou leu sobre esta tal de delação premiada. Me fale o que você sabe

– Eu sei seu doutor, e ninguém queira me convencer do contrário; eu acho que o juiz, junto com a polícia, que não quer ter trabalho de investigar os crimes pra não ter que ver seus amigos sendo citados, resolve premiar seus amigos ladrões de preferência para incriminar seus desafetos, por isso acho também que quando um doutor faz isso se torna um corruptor também, num é não seu escritor?

Ô bicho encrencado e cabuloso é sonho…

*Geraldo Oliveira Aragão é professor, cordelista, benemérito da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e membro correspondente da Academia Gloriense de Letras (Nossa Senhora da Glória/SE)

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