Didi Gomes: “a mulher intérprete de samba é imprescindível”

Em 2015, ela arrepiou o sambódromo de São Paulo interpretando Elis. Neste ano, canta na Vai-Vai de novo e na Padre Miguel, no Rio

Por Wagner de Alcântara Aragão | De Curitiba

Há dois anos, a cantora Didi Gomes deu a largada no desfile da Vai-Vai, interpretando Elis Regina (a escola paulistana seria campeã homenageando Pimentinha). A performance fez a Passarela do Samba Adoniran Barbosa se arrepiar (no vídeo abaixo, aos 6 minutos). Em 2016, foi campeã com a Unidos dos Morros, em Santos, também na ala musical.

 

 

Agora em 2017, Didi Gomes estará na Vai-Vai de novo, no sábado para domingo, e de segunda para terça, no Rio, na equipe de intérpretes da Mocidade Independente de Padre Miguel.

À Rede Macuco, ela concedeu entrevista nesta semana que antecede os desfiles, falando da preparação para soltar a voz no Carnaval:

Rede Macuco | Como são os dias que antecedem os desfiles, como é a preparação?
Didi Gomes | Nestes dias que antecedem, os ensaios continuaram, mas sempre com muita cautela. O repouso é primordial pro desfile, os exercícios vocais [também]. Mas sempre alerta para o grande dia, nada de exageros.

Rede Macuco | Como é ser da equipe de intérprete de duas escolas no mesmo Carnaval? Há risco de ‘misturar’ os sambas, algo assim? Como é o trabalho pra se evitar isso?
Didi Gomes | Vai-Vai e Mocidade Independente de Padre Miguel; são duas escolas com dois temas diferentes. É foco e atenção, para não ocorrer algum esquecimento ou ocorrer coisa do tipo. No meu caso, nunca tive esses problemas. Os dois temas são maravilhosos, e quando o intérprete gosta, tem uma afinidade, aprende mais fácil. É natural.

Rede Macuco | A ala de intérpretes do samba ainda é um ambiente onde predominam os homens. Isso está mudando? Já enfrentou algum tipo de resistência?
Didi Gomes | Nunca tive problemas com as alas musicais. É claro que vejo que melhorou muito, a abertura para a mulher ser intérprete do samba enredo. Onde estou, sou respeitada.  E já temos intérpretes como puxadores oficiais das escolas. Cito três: Pindá (Brasil, Santos), Bernardete (Unidos do Peruche, São Paulo) e Eliana de Lima (Unidos do Peruche e Leandro de Itaquera, São Paulo).
A ala, o coro é geralmente um grupo de cantores escolhidos pela escola ou diretor musical da ala para ‘fazer a cama’ para o intérprete oficial. Ele [o intérprete oficial] é quem tem a responsabilidade muito maior pela interpretação do samba. Todos temos nosso papel. A mulher cantora hoje é imprescindível.

 

Foto: acervo pessoal

 

Rede Macuco | Vai-Vai, Padre Miguel… Participou dos desfiles de Santos também?
Didi Gomes | Estou muito feliz em estar em duas grandes escolas de São Paulo e Rio de Janeiro. Nas duas escolas o intérprete é um dos melhores do país, o Wander Pires. Infelizmente não fiz parte do carnaval da minha cidade [Santos] neste ano, nas escolas, mas tive participações maravilhosas em bandas, como Banda do Jabaquara, Ouro Verde, e intérprete da Banda Palmares. Em 2015, vim pela Vai-Vai, campeã com a homenagem para Elis [Regina], consagrada. Em 2016 campeã pela Unidos dos Morros, uma das escolas que representei em Santos. Estou muito feliz.

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